A alma NÃO É imortal!

A alma pode viver independente do corpo! Ensino pagão ou bíblico?

Como se deu a paganização de Israel?

As considerações que estamos fazendo no estudo “A Condição humana após a morte” têm o objetivo de ser muito mais do que simples informação. Esse módulo não é diferente: se nós, como Igreja, não considerarmos os fatos aqui descritos, não perceberemos por quê nem como mergulhamos nesse engano histórico! Vamos aos fatos:

Após a morte do imperador grego Alexandre, o Grande, Israel foi governado por dois regimes sucessivos: o império Ptolemaico do sul, de 301 a.C. a 198 a.C., tendo o Egito como centro e o império Selêucida no norte, na Babilônia, que introduziu em Israel um helenismo que mudaria a história judaica para sempre.

Os reis Selêucidas, especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a.C.), implantaram um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região, havendo, desde o início, uma profunda reciprocidade entre os mundos judeu e pagão.

Logo formou-se em Israel e região um forte partido pró-helênico, que incrementou o avanço civilizatório grego e, por isso, entrou em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei.

A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III, sumo sacerdote conservador da lei, está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder.

Jasão (Joshua), irmão de Onias III, oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote.

“Verificou-se desse modo, tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros (…) que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar” (II Macabeus 4:13a-14a).

Em I Macabeus 1:11-13, lemos: “Por esses dias, apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: ‘Vamos, façamos aliança com as nações circunvizinhas, pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos’. Agradou-lhes tal modo de falar. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei, o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios”.

O termo paránomoi indica, segundo Deuteronômio 13:14, “filhos de Belial”, aqueles que fazem propostas de apostasia da Lei. Então, “fazer aliança com as nações” indica renegar a Lei e seguir costumes gentios.

Também o termo dikaíôma é usado na septuaginta (tr. grega do AT) para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho, direito) significando obrigações legais. Observar os preceitos dos gentios significa, portanto, abandonar as normas da Lei Sagrada e seguir leis gentias [Cf. SAULNIER, C., Histoire d’Israel III, pp. 110-111].

Em II Macabeus 4:7-10, os fatos descrevem-se do seguinte modo:

“Entrementes, tendo Selêuco deixado esta vida e assumindo o reino Antíoco, cognominado Epífanes, Jasão, irmão de Onias, começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. Durante uma audiência, ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda, a serem deduzidos de uma renda não discriminada, mais oitenta talentos. Além disso, empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos, se lhe fosse dada a permissão, pela autoridade real, de construir uma praça de esportes e uma efebia, bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. Obtido, assim, o consentimento do rei, ele, tão logo assumiu o poder, começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos”.

Os judeus de Alexandria criaram uma cultura marcada por características judaicas e helenísticas, que influenciou a filosofia do mundo antigo e, em particular, do cristianismo primitivo. A idéia de uma alma separada do corpo, por exemplo, não se encontra no Antigo Testamento e é uma grande novidade: “alma”, como essência pré-existente à vida humana, surge em II Enoque 24:4-5, e é aparentemente a doutrina platônica que está presente no Eclesiástico e em IV Macabeus. Os autores dessas considerações eram, provavelmente, judeus alexandrinos, que seguiam a ortodoxia helenística da região, distinta da Palestina. Em IV Esdras, encontramos a doutrina oriental relativa à formação do homem a partir dos quatro elementos (ar, água, terra e fogo), já citada por Fílon.

Ensino separando Alma e Corpo

Há uma distinção essencial entre os enfoques judaico e grego quanto à natureza humana: para os judeus, ela é una; para os gregos, há um claro dualismo corpo/alma.

A origem e história do modelo antropológico binário (dualista), separando alma e corpo, nada tem a ver com a revelação bíblica, mas sim, com uma religião pagã do século VII a.C., a chamada “Religião Órfica da Trácia”, na Grécia antiga. A partir desta origem, a concepção binária ou dualista do homem passou por todo um processo de evolução e adaptação até, finalmente, fixar-se também no cristianismo.

Desde os primeiros séculos da era cristã, a concepção de uma alma independente do corpo se tornou o modelo dominante no cristianismo, sustentado pela filosofia de Platão (neoplatonismo) e pela ideologia religiosa da gnose e de seu dualismo cosmológico.

A partir do século IV d.C, sobretudo depois de Agostinho, a compreensão cristã do destino humano após a morte baseia-se, cada vez mais, no modelo dualista helênico. Este modelo antropológico já era dominante dentro do império greco-romano antes da era cristã, e depois do desaparecimento deste império, continuou dentro do pensamento cristão e permanece até os dias de hoje.

Ele se fixou de tal maneira, que muitos cristãos estão convencidos de que estamos diante de um fato de revelação divina. Pensam que a base do modelo antropológico dualista corpo/alma seria a própria Bíblia.

Porém, o modelo dualista-binário do homem, conforme o qual este homem é composto de corpo e alma (e a alma pode viver independente do corpo), não tem a sua raiz na Bíblia, mas na cultura pagã do helenismo grego.

Como vimos anteriormente, o termo “alma” aparece centenas de vezes nas traduções do Antigo e Novo Testamentos. Entretanto, com exceção dos poucos textos do judaísmo tardio, claramente influenciados pelo helenismo, quando a Bíblia fala da alma, nunca quer referir-se a um princípio espiritual autônomo, que poderia ser separado do corpo. Dentro de uma visão integrativa, os textos bíblicos apresentam o homem sempre como uma unidade indivisível.

Influência pagã nos primeiros séculos da Igreja

Os tessalonicenses em grande parte vieram do mundo pagão, com o pensamento paganizado pelo diabo, da alma imortal: “Certamente não morrerão”. – Gn 3:4 – Nova Versão Internacional. O mesmo problema Paulo discutiu mais amplamente em sua primeira carta para os coríntios. As ideias pagãs profundamente enraizadas pela prática de gerações não eram removidas com facilidade.

Os tessalonicenses se depararam com a mesma dificuldade de milhões em nossos dias: Não encontravam conformação na perda de seus queridos, mortos em Cristo, de que estavam apenas dormindo o sono da morte até o grande dia da ressurreição.

Para os coríntios que também tinham dificuldades em entender o sono da morte e a ressurreição, Paulo escreveu: “Vocês sabem que, quando eram pagãos, de uma forma ou de outra eram fortemente atraídos e levados para os ídolos mudos”. – 1Co 12:2 – Nova Versão Internacional

Nós vamos ver essas questões de forma minusiosa na Palavra, mas quero adiantar uma questão importante que precisa ser compreendida em relação a Igreja de Tessalônica e outras igrejas estabelecidas por Paulo no mundo pagão, ou gentio, é que estes novos crentes enfrentavam a grande luta com suas ideias pagãs, especialmente em relação à vida, à morte e à ressurreição. Havia muitas especulações sem fundamento, mas que exerciam forte domínio sobre as pessoas sem nenhum conhecimento das verdades bíblicas.

Paulo coloca estes acontecimentos dentro do contexto da Escritura, demonstrando que a vida cessa no momento da morte, para tornar-se um sono. Mas quando Cristo voltar com milhares de anjos, chamará novamente à vida todos aqueles que dormiram na fé nEle e na esperança da ressurreição. Em sua argumentação, Paulo não abre nenhum espaço para a dicotomia: A alma vai para o céu ou para o inferno no momento da morte e o corpo para a sepultura. Paulo crê decididamente no homem mortal como um todo e na ressurreição do homem como um todo, quando aquilo que “é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade”. – 1Co 15:54 – Nova Versão Internacional.

“Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade”. – 1Co 15:53 – Nova Versão Internacional. Mas quando essa transformação ocorrerá? Quando o mortal se tornará imortal? Na Ressurreição apenas.

O drama da morte perturbava os tessalonicenses. As heranças do paganismo não foram desfeitas com a curta permanência de Paulo. Ele procura esclarecer na carta a verdadeira condição dos mortos para aqueles que têm esperança em relação aos que não têm esperança.

Paulo argumenta com firme convicção de que todos os que morrem passam a dormir o sono da morte. Na teologia de Paulo não se encontra nenhum argumento que permita qualquer evidência de que os mortos, ou vão para o céu ou para o inferno, dependendo da recompensa merecida.

Registre isso aí, caro leitor, apenas como aperitivo do que veremos nos artigos deste estudo:  Se Jesus morreu como um todo, permaneceu na sepultura e ressuscitou glorificado como um todo, para então subir à presença de Deus, seu Pai, isto não inferioriza Jesus perante aqueles que deixam o corpo e ascendem vivos para o Céu? Até quando a Igreja vai continuar dizendo em velórios “O irmão agora está na glória”? O tal irmão já ressuscitou e seu corpo foi glorificado? Não, certo? Então como ele está na presença de Deus, com o corpo corruptível do pecado? Em favor de quem Jesus morreu? Em favor de mortos no pecado e condenados à morte real e eterna e que morrem de verdade como um todo, ou de vivos no pecado e que são imortais? Para que morrer em favor de um imortal?

É impossível harmonizar a doutrina da segunda vinda de Jesus e a ressurreição dos mortos com a doutrina das almas imortais. No entanto, toda a dificuldade desaparece, quando compreendemos o correto ensino da Escritura. A Escritura ensina que, para aqueles que se renderam a Cristo, como a única esperança de vida, nascerá a gloriosa manhã da ressurreição, quando Cristo vier com milhares de anjos buscar os Seus amigos e irmãos.

“Nem todos dormiremos,… os mortos ressuscitarão incorruptíveis,… é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade”. – 1Co 15:51-53 – Nova Versão Internacional

Paulo estava esclarecendo para a Igreja de Tessalônica as doutrinas do ser humano na morte, da ressurreição e da segunda vinda de Jesus. Os tessalonicenses tinham compreensão equivocada sobre estas doutrinas. Eles erradamente acreditavam que os que morriam antes da vinda de Jesus, ficavam em desvantagem em relação àqueles que estiverem vivos quando o Senhor voltar.

Hoje a compreensão equivocada alterou as posições. Ensina-se que aquele que morre, em sua alma ”imortal”, vai direto para o Céu. Portanto, leva vantagem sobre os que permanecem vivos no mundo com seus sofrimentos. Ou seja, a morte para estes NÃO É MALDIÇÃO, NÃO PRECISA SER VENCIDA NO FINAL, como Paulo alegou.

“Eis que eu lhes digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados”. – 1Co 15:51 – Nova Versão Internacional. – Transformação apenas ao som da última trombeta e não na hora da morte. E não ANTES da ressurreição.

Paulo estava trabalhando com os crentes vindos do paganismo e que se renderam a Jesus como Salvador, com a dificuldade em compreender o estado dos mortos, a ressurreição e a vida eterna.

Ninguém se conforma com a morte. Deus nos criou para a vida. Salomão afirma que Deus “Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade”. – Ec 3:11 – Nova Versão Internacional.

Paulo, conhecedor do pensamento pagão e da ansiedade com que buscavam uma explicação para os mistérios da vida e da morte, e conhecedor do plano da salvação, da destruição da morte e da certeza da dádiva de vida eterna para os que morrem em Cristo comunicou esta mensagem de esperança, conforto e regozijo para os recém nascidos na fé.

“Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” – 1Co 15:55 – Nova Versão Internacional.

“A morte foi destruída pela vitória”. – 1Co 15:54 – Nova Versão Internacional.

“Voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”. – Jo 14:3 – Nova Versão Internacional. – Olha que texto claro. Apenas na volta de Jesus, após a ressurreição, que os filhos vencedores estarão com Cristo. Nunca antes disso.

Por que são importantes as doutrinas sobre os mortos e a ressurreição?

Se os que morrem vão para o Céu ou para o inferno, ou para qualquer outro lugar, por que e por quem Jesus veio morrer? Como sustentar as doutrinas da expiação do pecado na morte redentora de Jesus e a ressurreição dos mortos sob o poderoso clangor das trombetas de miríades de anjos acompanhando o grandioso acontecimento da volta de Jesus? Se os que se rendem a Jesus, são perdoados e justificados e ao morrer vão direto para o Céu, por que o glorioso espetáculo da volta de Jesus para ressuscitar os mortos que estão vivos no Céu? Se os bons e santos vão para o Céu assim que morrem, que sentido tem a doutrina da ressurreição de Jesus como as primícias e a garantia da ressurreição dos que morrem na fé em Cristo?

Jesus foi bom e santo. Onde esteve desde o momento da Sua morte até o momento da ressurreição? Ele declarou para Maria: “Ainda não subi para meu Pai”. Com esta declaração, Ele deixou claro para Maria e para TODA sua igreja que ainda nem havia nascido dos séculos futuros que desde o cair da tarde de sexta-feira até ao amanhecer do domingo esteve repousando na sepultura.

Se hoje, um mundo que se diz cristianizado e com a Bíblia à sua disposição, aceita erros do paganismo em relação à morte, podemos imaginar as dificuldades enfrentadas por Paulo para criar mudanças profundas na vida, na fé e na conduta de seus filhos espirituais.
Paulo, o bandeirante da fé, atacou esses problemas oriundos do mundo pagão, e que têm sua origem em Satanás, com o poder da Palavra de Deus e sua determinação característica. Tem a firme convicção de que todos os que morrem passam a dormir o sono da morte. Na teologia de Paulo não se encontra nenhum argumento que permita qualquer evidência de que os mortos, ou vão para o céu ou para o inferno, dependendo da recompensa merecida.

Com que palavras Marta expressou a sua fé sobre o estado dos mortos, falando de seu irmão Lázaro? “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia” – Jo 11:24 – Nova Versão Internacional.

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus”. – Jó 19:25 e 26.

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. – 1Co 15:17

“Quem tem ouvidos para ouvir OUÇA..”

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A alma NÃO É imortal! (17)

2 Comments

  1. welinton werneck

    A paz do senhor minha irmã, me explica uma coisa como você explicaria a resposta que Jesus deu á Marta, 24 Disse-lhe Marta: Sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.

    25 Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá;

    26 e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?

    • Evangelho Perdido

      Olá, irmão Welinton!
      Nunca podemos ensinar ou nos fixar em uma doutrina com textos isolados. Como você viu neste estudo, vários são os textos que deixam claro que a ALMA não é imortal. Como Jesus afirmou sobre Lázaro, ainda que ele tenha morrido, viverá. Não apenas no milagre que se seguiu, pois Lázaro voltou a morrer. Mas também na ressurreição, no último dia. E todos os que crêem nele jamais morrerão. O que ele quis dizer? Os que crêem não morrerão ETERNAMENTE. Apenas isso, amado irmão, é o que significa este versículo. Que nosso Pai o abençoe. Obrigada por comentar neste blog. Um abraço.

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