A alma NÃO É imortal!, Inferno NÃO é fogo ETERNO!

“Eu cria na Imortalidade da Alma!”

Faço minhas, em todos os detalhes, este testemunho poderoso de um ex-imortalista. Leia com carinho, saboreando cada palavra, para ver se as mesmas tocam seu espírito definitivamente com essa verdade.

“Se as pessoas que morreram em Cristo já estão no Céu, então qual a necessidade da ressurreição? Por que elas precisariam deixar o Céu, voltar para o corpo sepultado, ressuscitar novamente e retornar para o Céu? Será que é por causa deste ‘dilema doutrinário’, impossível de ser resolvido, que não se vê muita pregação sobre a ressurreição nas igrejas cristãs que creem no estado consciente dos mortos?”

Quem estiver lendo este artigo pela primeira vez pode se surpreender em saber que seu autor não é adventista ou testemunha de Jeová, mas um evangélico comum que cria na imortalidade da alma, a exemplo do que a grande maioria dos evangélicos ainda creem. A noção de que Deus tenha implantado um elemento imortal no homem, que sobrevive à parte do corpo na morte e volta para Deus em estado incorpóreo esperando a ressurreição em um estado intermediário é ponto de fé em muitas religiões, inclusive cristãs.

Nasci e cresci aprendendo a doutrina da imortalidade da alma. Talvez a primeira coisa que eu tenha ouvido sobre a morte é que a alma é imortal. Sobre ressurreição? Não, isso não era muito importante. Um mero detalhe desnecessário e de menor importância, que não era muito ressaltado nas igrejas. Tinha apenas um leve conhecimento sobre ressurreição, mas sobre imortalidade da alma estava na ponta da língua. Fui doutrinado, tanto pelas igrejas que eu frequentava quanto pelos sites apologéticos evangélicos na internet, que a alma era imortal.

Quando comecei a construção de meu primeiro site, em 2009, eu dediquei uma página para “provar” a imortalidade da alma, baseando-me naquelas mesmas meia dúzia de passagens bíblicas isoladas que todo bom imortalista sabe de cor: partir e estar com Cristo, as “almas” debaixo do altar clamando vingança, o ladrão da cruz, a parábola do Lázaro, os espíritos em prisão, etc. Passava essas passagens no site achando que era tudo aquilo que a Bíblia tinha a dizer sobre o tema. E, nos debates, sustentava essa mesma posição.

Antes de contar como que eu deixei de crer na imortalidade da alma, será necessário começar contando como que tudo começou. Uma daquelas perguntas que todo cristão tem em mente mas que apenas alguns poucos têm coragem de assumi-la é sobre como que um Deus cheio de amor, graça, justiça e misericórdia poderia deixar queimando literalmente entre as chamas de um lago de fogo e enxofre por toda a eternidade os pecadores que durante alguns anos não serviram a Cristo em suas vidas terrenas.

Não é preciso ser um filósofo para entender que tal punição seria injusta. Um tormento infinito por pecados finitos não entrava na minha cabeça, pelo menos não com o Deus que nos é revelado nas Escrituras, que tanto amou o mundo ao ponto de dar o Seu único Filho por todos nós. Se nem eu ou você seríamos tão cruéis e implacáveis ao ponto de mandar o nosso maior inimigo para literalmente as chamas de um fogo eterno, para sofrer terrivelmente para sempre e sem volta, quanto menos Deus, que ama muito mais essa pessoa do que eu ou você!

As explicações que ouvia sobre isso não me eram satisfatórias. Uns diziam que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos, e que “por acidente” os não-cristãos vão acabar partilhando do destino do diabo e seus anjos. Mas como Deus é onisciente e sabia muito bem de todo o desenrolar da história humana antes mesmo de criar o homem, fica ainda mais incoerente crer que ele não tenha previsto esse inferno de tormento eterno para os homens pecadores. Na verdade, essa explicação não ajudava nada.

Por esta época, eu comecei a me aventurar a ler vários daqueles relatos de vida após a morte. Li desde pessoas que supostamente foram ao Céu, até pessoas que passaram pelo inferno e voltaram (há também pessoas que dizem ter visitado o purgatório e o limbo). Claro que a maior ênfase e quantidade de relatos era deste último, o inferno. Li desde as visões de Santa Faustina do inferno, até a “divina revelação do inferno” de Mary Baxter, os “23 minutos no inferno” de Bill Wiese, dentre muitas outras “revelações”, as quais eu me amarrava, e tinha toda a credulidade do mundo de que tais visões eram reais.

Na época, eu não tinha qualquer conhecimento bíblico sério sobre o que era realmente o inferno bíblico, apenas tinha aquela visão tradicional de inferno, herdada a nós pela Igreja Católica na Idade Média, ao maior estilo “Comédia de Dante”. Para mim, o inferno era um local subterrâneo, onde as almas ou espíritos imortais dos pecadores desciam, e lá eram atormentados por demônios, por fogo, por torturas colossais de todos os tipos. O inferno era praticamente uma Disneylândia do demônio, que se divertia à beça torturando os pecadores.

Em outras palavras, ao invés de o inferno ser uma punição para o demônio (pois foi “preparado para o diabo e seus anjos” – cf. Mt.25:41), era uma total curtição para ele. Mas não era somente isso que me estranhava nestes relatos “infernais”. Não era preciso ter nenhum conhecimento teológico para perceber que os relatos eram sempre contraditórios entre si (portanto, mutuamente excludentes), e em quase todos os casos as pessoas encontravam por lá personagens famosos, como Michael Jackson, John Lennon, o papa João Paulo II, dentre outros. E os “espíritos”? Estes sangravam, vestiam roupas humanas, tinham até pele e ossos.

Tudo isso me parecia muito estranho, para dizer pouco. Mas o ponto em comum em todas as visões do inferno é que a pessoa que foi supostamente levada até lá estava ao lado de Jesus, que se mostrava profundamente triste com o sofrimento daquelas pessoas, quase que arrependido, como se não tivesse sido ele próprio que tivesse preparado aquele lugar e soubesse de antemão o destino que os não-salvos teriam ali. Mas dizia que naquele momento já não restava mais nada a ser feito, pois aquelas pessoas já estariam condenadas para passarem toda a eternidade naquele lugar. Apenas mais tarde fui entender que os mortos só serão julgados e condenados na segunda vinda de Cristo (cf. 2Tm.4:1; Jo.5:28,29; At.17:31).

Contudo, ao invés de me conformar com essa explicação, isso piorava ainda mais as coisas, pois passava a ideia de um Deus que é incapaz de solucionar os problemas ou resgatar as pessoas daquele lugar terrível, que sabia premeditadamente que aquelas pessoas iriam para aquele lugar, e, ao invés de decretar um juízo justo e correspondente aos pecados de cada um, decide por um tormento eterno para todos, indiscriminadamente. Um rapaz de doze anos que não conheceu Jesus teria a mesma pena de Adolf Hitler, que exterminou os judeus.

O diabo, autor do pecado e que peca desde o princípio (cf. 1Jo.3:8), ficaria se divertindo torturando aqueles que pecaram somente durante algum tempo. Todas as respostas que lia e ouvia não serviam para melhorar a situação, mas apenas serviam para acentuar o problema. A base filosófica podia às vezes parecer racional, mas nunca atingia o cerne da questão. E, com medo de questionar se isso é justo ou não e ir parar neste local infernal, tinha receio de questionar o próprio Deus sobre isso, ou de perguntar a outras pessoas.

Afinal, o motor que rege muitos crentes para viverem certinho não é Deus ou a vida eterna, é o fogo do inferno. Muitos crentes querem ser santos à marra, por força de obrigação e não por livre e espontânea vontade de amar a Deus, porque tem medo de morrer no pecado e irem parar neste local infernal. Sendo assim, a real motivação para servir a Cristo acaba sendo escapar do inferno, e não encontrar seu Salvador. Para elas, se um tormento eterno não existisse, valeria mais a pena viver no pecado!

E cristãos firmados sobre o medo do inferno não são cristãos verdadeiros. O cristão tem que estar firmado em Cristo, e somente nEle. Mas isso é muito difícil para alguém que tem em mente a ideia de que, se cometer algum deslize, tem um local embaixo da terra com vários seres passando por tormentos colossais nas mãos de criaturas demoníacas com um garfo na mão, junto a um fogo que queima espíritos incorpóreos para sempre.

Seria mais justo que Deus punisse cada pecador com o tanto correspondente aos seus pecados do que enviar todos juntos para uma mesma condenação de um tormento infinito por pecados finitos. Da mesma forma que eu considerava injusto que não houvesse castigo nem punição pelos pecados, igualmente achava injusto que essa punição fosse eterna para todos, indistintamente. A solução para isso seria um castigo proporcional aos pecados de cada um, e não uma extinção de vida antes de pagar pelos pecados, e muito menos um tormento eterno, que só serviria para perpetuar o pecado, os pecadores, o mal, as blasfêmias e o tormento no Universo para sempre, ao invés de eliminá-lo de uma vez por todas.

Foi então que, estudando, eu descobri a verdade sobre o inferno, que consiste em um castigo proporcional às obras e em aniquilacionismo, e não em um tormento eterno. É claro que isso não era tudo. Comecei a estudar o assunto e perceber a falácia dos argumentos imortalistas para um tormento eterno, os quais foram examinados ao longo de todo o estudo sobre a Mortalidade da Alma neste blog. Descobri, então, que Deus não castiga da mesma forma todos os pecadores com um tormento eterno para todos indistintamente, mas pune a cada um com o tanto correspondente pelos seus pecados.

Descobri que Deus não dá “infinitos açoites” em ninguém, mas que uns receberão “muitos açoites” (cf. Lc.12:47), enquanto outros, por sua vez, receberão “poucos açoites” (cf. Lc.12:48). Descobri, finalmente, a linguagem bíblica que expressa de maneira grandiosa a justiça de Deus: que os ímpios serão castigados pelo tanto correspondente aos seus pecados e, em seguida, eliminados, e não atormentados para sempre.

Essa descoberta foi duplamente libertadora: primeiro, me libertou de um engano bíblico tremendo que é a crença em um inferno de tormento eterno e consciente, baseando-me em uma ou outra passagem isolada, quando a Bíblia por completo rejeita tal doutrina. Segundo, ela me libertou de outro tormento, o psicológico, pois pude ver novamente como que o amor e a justiça de Deus andam de mãos dadas, e que Ele não é incoerente com relação ao destino eterno dos perdidos.

Mesmo após crer na crença bíblica da destruição eterna dos ímpios e rejeitar a tese do tormento eterno, o fato é que eu continuei crendo no estado intermediário, onde as almas dos justos já estariam com Deus e as dos ímpios já estariam no inferno (ainda que não seja eternamente). Sim, é incoerente crer nisso, pois se a alma sobrevive à morte do corpo é porque ela não morre; ou seja, que ela é imortal. Mas se ela morre na segunda morte, então ela não é imortal! Em outras palavras, crer que a alma sobrevive após a morte e ao mesmo tempo crer que ela perecerá no dia do juízo é ser incoerente: seria o mesmo que dizer que a alma morre e não morre, que ela é e não é imortal.

“Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?”

Portanto, de duas, uma: ou a crença no tormento eterno do inferno é verdadeira, ou então, se não é, a própria imortalidade da alma em um estado intermediário é falsa. Demorou mais algum tempo para descobrir isso, e dessa vez a bomba veio com um nome: ressurreição dos mortos! Sim, essa crença tão esquecida e praticamente abandonada pelos pastores e igrejas em nossos dias foi exatamente aquilo que me levou rejeitar a imortalidade da alma.

É certo que as igrejas que pregam a imortalidade da alma, em sua maioria, não rejeitam a ressurreição dos mortos. Porém, isso não muda o fato de que ambas as doutrinas são mutuamente excludentes. Os gregos da época de Cristo, que difundiram enormemente a tese da alma imortal para o mundo, não criam na ressurreição dos mortos, e por isso zombaram de Paulo no Areópago (cf. At.17:32). O teólogo luterano Oscar Cullmann logo percebeu esse contraste e escreveu o livro: “Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?”, onde ele aborda tal contraste abismal entre ambas as doutrinas.

O fato é que a imortalidade da alma anula completamente o valor e a importância (e principalmente a necessidade) da ressurreição. Prova disso é que raramente se vê pregações colocando o foco na esperança da ressurreição nos dias de hoje. Desde quando a doutrina pagã na imortalidade da alma entrou no Cristianismo, o foco passou a ser a esperança da imortalidade da alma, e não mais a esperança de ressurgir dentre os mortos na ressurreição do último dia. O foco mudou completamente.

Da Igreja Primitiva, onde nunca se ouviu falar de “alma imortal” [psiquê athanatos], e que pregava que a única esperança dos cristãos era na ressurreição, para a igreja atual, onde não se ouve mais pregações sobre a ressurreição, onde ninguém fala que a sua maior esperança é em ressuscitar dos mortos, onde a crença na alma imortal suprimiu a crença fundamental na ressurreição. Rejeitar a imortalidade da alma não é apenas repudiar uma doutrina falsa oriunda do paganismo grego, mas é engrandecer e enaltecer novamente a ressurreição dos mortos, assim como era crida na Igreja primitiva.

Diante disso, chegou o dia em que eu parei para ler 1ª Coríntios, capítulo 15. Nunca vou me esquecer daquele dia. Nunca algum capítulo mexeu tanto comigo. A cada verso que lia, a cada compreensão do ensino de Paulo sobre a ressurreição, eu ficava admirado, e ao mesmo tempo espantado – como nunca havia percebido aquilo antes? Era difícil acreditar que a Igreja se distanciou tanto daquele ensino. Era difícil acreditar que a cada versículo eu me convencia cada vez mais que imortalidade da alma não condiz com ressurreição dos mortos.

Confesso que fiquei pálido quando li no verso 18 Paulo dizendo que, se não fosse pela ressurreição, os que dormiram em Cristo já pereceram. Confesso que fiquei mais pálido ainda quando li no verso seguinte que a nossa esperança em Cristo se limitaria somente a esta presente vida, se não existisse a ressurreição. Quanto mais eu lia, mais me convencia que, se não fosse pela ressurreição do último dia, não existiria nada depois da morte. Tanto é que Paulo diz que, sem ressurreição, seria melhor comer, beber e depois morrer (v.32), e estaríamos correndo perigos à toa (v.30).

Nunca havia visto um imortalista pregar essas passagens. E até hoje nunca vi alguém as explicar satisfatoriamente, à luz de sua crença na imortalidade da alma. Afinal, Paulo poderia ter dito que viveríamos no Céu do mesmo jeito sem a ressurreição, estando com nossas almas no Paraíso sem um corpo. Para os imortalistas, a ressurreição é isso: um detalhe desnecessário. Para que ressuscitar um corpo morto, se já estaríamos no Céu? De qualquer forma, na teologia imortalista, a ressurreição é desnecessária e inútil, pois estaríamos com Deus no Céu com ou sem um corpo físico glorioso.

Estaríamos desfrutando das delícias do Paraíso para sempre, do mesmo jeito. Estaríamos com Deus eternamente, independentemente de um corpo se levantar dos mortos ou não. Mas, se a alma não é imortal, então a ressurreição é totalmente necessária. Sem ela, os mortos já teriam perecido para sempre (v.18). Sem ela, não haveria outra vida após a morte, e a nossa esperança seria somente esta vida presente (v.19). Sem ela, é inútil sofrer perseguições por amor a Cristo (v.30). Sem ela, a própria vida é inútil (v.32). Quanta diferença entre imortalidade da alma e ressurreição dos mortos!

Depois, li os versos 51-54, onde vejo Paulo dizendo que seremos dotados de imortalidade somente após a ressurreição, pois ela não é algo que já trazemos conosco em nossa natureza no presente momento. E vejo também que a morte não é a libertadora da alma imortal, mas o maior inimigo a ser vencido (vs. 54-55), e que só é tragada na ressurreição (v.54). Quão importante, gloriosa e fundamental é a ressurreição!

Quando descobri o valor da ressurreição no Cristianismo, o tanto que ela é importante e como ela foi sendo tão sistematicamente abandonada até chegar aos nossos dias (a tal ponto que raramente se vê pregações sobre a ressurreição hoje em dia), tentei entender o porquê que ela foi tão esquecida. Afinal, isso tudo não poderia ter acontecido do nada, sem uma razão de ser. Ao lermos o livro de Atos vemos que em 2/3 das ocasiões em que a palavra “esperança” entra em cena ela está relacionada à esperança da ressurreição dos mortos, no último dia.

O próprio Paulo disse que “nessa esperança”, isto é, na esperança da “redenção do nosso corpo”, é que “fomos salvos” (cf. Rm.8:24), que tinha “a mesma esperança desses homens, de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos” (cf. At.24:15), e de que estava sendo julgado “por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos” (cf. At.23:6). Se a esperança da ressurreição era o foco da Igreja primitiva e foi perdendo espaço até os dias atuais, é porque algo aconteceu, porque alguma outra coisa foi ganhando este espaço.

Estado Intermediário

E, ao estudarmos a história da Igreja, vemos que no final do século II os filósofos cristãos, admiradores da filosofia de Platão, decidiram criar um meio de tentar conciliar o ensino da ressurreição com a imortalidade da alma, inventando um estado intermediário, onde as almas esperariam em forma incorpórea a ressurreição dos seus corpos. A partir de então, a imortalidade da alma foi ganhando cada vez mais espaço, e a ressurreição perdendo cada vez mais. Pois, se a alma já vai para o Céu sem a necessidade da ressurreição, para que existe ressurreição? A ressurreição seria desnecessária, pois já estaríamos na glória ou pelo menos assegurados entre os salvos.

E tudo aquilo que Paulo disse aos coríntios em 1ª Coríntios 15 perderia completamente o sentido e a razão de existir. Ao invés de Paulo estar pregando a necessidade da ressurreição, ele estaria simplesmente pregando a existência dela. A ressurreição que a Bíblia ensina é uma ressurreição não apenas física e real, mas necessária e fundamental. A ressurreição crida pelos imortalistas, no entanto, é inútil e desnecessária (pois já estaríamos no Céu antes dela e continuaríamos lá sem ela, mesmo se ela nunca existisse).

Esse evidente contraste entre os pontos de vista mortalista e imortalista em relação à vida após a morte fica ainda mais acentuado quando vemos que, se de fato é apenas na ressurreição que ganhamos vida, então essa deve ser a nossa maior esperança, mas se a nossa alma já está no Céu antes dela e sem a necessidade dela, então a nossa esperança não é a ressurreição dos mortos, como tão insistentemente pregavam os apóstolos, mas a imortalidade da alma.

E é neste espantalho criado pelos imortalistas e apelidado de “ressurreição” que eles acreditam: uma ressurreição desnecessária, sem razão lógica de existir, em que viveríamos muito bem sem ela e onde é absurdo colocar “esperança” numa tão simples religação de corpo com alma por ocasião da segunda vinda de Cristo. O mais importante não é dizer que a alma morre, mas é anunciar a verdadeira ressurreição, retornando às raízes da esperança cristã primitiva, voltando aos primórdios de quando a imortalidade da alma estava das portas para fora da Igreja, e por essa mesma razão a ressurreição era o foco de todo o pensamento apostólico e neotestamentário.

A imortalidade da alma foi a primeira mentira inventada por Satanás na história

Para o inimigo, bastou inventar a mentira de que “certamente não morrerás” (cf. Gn.3:4), que o homem rapidamente deixou de lado, arquivado em algum lugar, a sua crença numa ressurreição vindoura. Bastou ensinar que a alma não morre para trazer junto consigo todas as outras heresias que vemos hoje: oração pelos mortos, culto aos mortos, intercessão dos santos falecidos, reencarnação, consulta aos espíritos, purgatório, limbo, dentre outras inúmeras heresias perpetuadas até os dias de hoje, tendo todas elas essa mesma base inventada pelo maligno, de que existe vida consciente entre a morte e a ressurreição.

O que vemos, na verdade, é que todas as heresias têm como fundamento a crença de que a alma sobrevive após a morte. Sem ela, nenhuma das maiores heresias citadas acima existiria. Sem ela, Satanás não teria um pretexto para fazer com que o povo ascenda velas aos mortos, beije imagens deles, se prostre diante delas, reze a alguém que já faleceu, ore por eles ou os consulte. A imortalidade da alma foi a primeira mentira inventada por Satanás na história da humanidade (cf. Gn.3:4), porque ela é a base e o fundamento de todas as demais mentiras.

Na verdade, a maioria dos evangélicos perde tempo enquanto refuta a crença no purgatório, intercessão dos santos, imagens, idolatria, culto aos mortos, dentre tantas outras heresias, pois elas são apenas a consequência de uma heresia maior. Todas elas são consequências da crença na imortalidade da alma. Destruindo essa maior mentira, todas as outras mentiras secundárias caem por terra, sem fazer qualquer esforço, como em um efeito dominó. Enquanto os evangélicos apenas atacarem essas doutrinas em si mesmas, não estarão fazendo qualquer progresso. Só conseguirão quando perceberem que o mal só é cortado se for pela raiz: quando destruirmos a base e o fundamento de todas essas heresias, que é precisamente a imortalidade da alma.

Todos se deparam com a verdade, mas apenas alguns poucos estão realmente abertos a aceitá-la

Em resumo, aqui escreve alguém que sempre foi doutrinado com os ensinos de imortalidade da alma e tormento eterno, que sempre frequentou igrejas que criam e creem nisso, que sempre ouviu isso a vida inteira, aí veio a Bíblia e mudou tudo. Como é que isso ocorre? Somente quando estamos com a mente aberta para a verdade. O curioso é que eu já havia lido 1ª Coríntios 15 diversas vezes antes daquele dia. Por que nunca havia notado nada “diferente”? Porque estava com a mente fechada para a verdade.

Enquanto eu estava apenas seguindo uma orientação religiosa proveniente de tradições humanas denominacionais de uma igreja X ou Y, eu podia ler mil vezes aquele capítulo, que iria estar como que com um “véu” espiritual me cobrindo. Mas, uma vez que dispus em meu coração o interesse de descobrir a verdade, e nada além da verdade bíblica, eu conheci a verdade, e a verdade me libertou. Todos se deparam com a verdade, mas apenas alguns poucos estão realmente abertos a aceitá-la. Da mesma forma que Cristo bate na porta do coração de cada um de nós, mas só o aceitamos se estivermos dispostos a isso (cf. Ap.3:20), o mesmo acontece com as verdades bíblicas. Certa vez um amigo meu comentou o seguinte:

“Sabe o que acontece? O problema é que a gente pode até ampliar alguma coisa sobre isso, mas não vai pegar. Você, e nem eu, ou quem quer que seja, consegue falar tão alto. A coisa talvez até mude, talvez, se quem padronizou o mandamento, no caso a Igreja Católica, reverter o quadro, dizendo que houve um erro. Muitos recebem as mudanças com alegria, satisfação, concordando com tudo, mas em apenas alguns dias elas voltam à crença comum. Pode-se encher isso aqui de textos e mais textos que convençam as pessoas que nada vai resolver. Que se encha isso aqui de argumentos que nos deixem com olhos lacrimejantes de satisfação, com apenas dez dias sem tocar no assunto, as pessoas são novamente empurradas para a crença tradicional ensinada há milênios, no que se refere a esses assuntos.”

Essa é a mais pura verdade, e é o que eu mais constato nestes tempos em que eu debato sobre isso. A maioria das pessoas não segue a Bíblia, segue uma religião. Não segue a Cristo, segue o ensino denominacional mais tradicional. Não falo mal e nem quero desmerecer nenhuma denominação, mas a verdade está somente na Bíblia. Isso vale tanto para católicos, como principalmente para os evangélicos, que dizem seguir a Sola Scriptura.

O que vemos é que muitas pessoas não estão com a mente aberta para decidir pela verdade bíblica. Elas já têm uma verdade pré-estabelecida na mente delas, oriunda da tradição da igreja X, e defendem essa tradição com unhas e dentes, usando a Bíblia não para descobrir a verdade que está nela, mas somente para encontrar pretextos e passagens que possam corroborar com a crença da tradição. Ao invés de fazerem um estudo sério e honesto, com a mente totalmente aberta para a verdade, elas já estão com uma verdade pré-concebida na mente delas, e buscam apoio para essa verdade na Bíblia.

Em outras palavras, a Bíblia não é a fonte da verdade para essas pessoas. A fonte da verdade é a tradição denominacional, e a Bíblia é apenas um meio para dar pretextos para essa crença. Sendo assim, não me assusta que tantas pessoas leiam 1ª Coríntios 15 a exemplo de como fazem com inúmeras outras passagens das Escrituras que desmentem claramente a imortalidade da alma, mas elas continuam batendo nessa mesma tecla.

Enquanto eu estive com a mente fechada, ainda que lesse 1ª Coríntios 15 ou ouvisse falar sobre ressurreição, não a compreendia. Era como os discípulos, que ouviam Jesus falando explicitamente a eles que iria morrer e ressuscitar ao terceiro dia, mas mesmo sendo assim tão claro, eles mesmo assim não entendiam, pois o seu entendimento estava encoberto (cf. Lc.9:45). Porém, quando estive com a mente aberta para a verdade, uma quantidade insuperável de evidências bíblicas se evidenciou.

Com a mente aberta para a verdade bíblica, não foi difícil achar uma riqueza bíblica que eu jamais teria descoberto se não me lançasse nas Escrituras e mergulhasse nelas.

Eu não tive nenhum sonho, nenhuma revelação, não vi Deus, não tive contato com um anjo poderoso com uma espada na mão, não fui alvo de uma profecia e nem fui arrebatado ao terceiro céu. Tudo isso que eu descobri não foi de alguma forma extraordinária: foi somente lendo a Bíblia. Algo tão simples, mas tão pouco praticado por muitos.

Fico imensamente agradecido ao Senhor por ter me dado a honra de militar por essa doutrina tão abandonada de nossas igrejas nos dias de hoje, chamada ressurreição dos mortos, e de poder combater a raiz de todas as heresias e a primeira de todas as mentiras, chamada imortalidade da alma.

Se eu quisesse agradar a homens, estaria pregando aquilo que todo mundo gostaria de ouvir. Se eu quisesse agradar a homens, estaria ensinando que “certamente não morrerás”. Se a minha intenção em Cristo fosse de fazer amigos que dessem um tapinha nas costas e me apoiassem em tudo o que eu dissesse, certamente estaria pregando que possuímos uma alma, e não que somos uma (cf. Gn.2:7). Há um preço a se pagar por pregar a verdade, e sei que pagarei esse preço até o fim da minha vida.

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. E, por essa mesma graça, hoje eu fico muito feliz em ver que tantas pessoas já se libertaram dessa doutrina pagã, e hoje estão livres para pregar a ressurreição e a vida em Jesus Cristo.

E eu não sou o único. Poderia passar todo o dia mostrando inúmeros teólogos de diferentes segmentos religiosos evangélicos imortalistas, mas que, através de uma leitura sincera e honesta das Escrituras, adotaram a postura bíblica da mortalidade natural da alma humana. Poderíamos referir aqui os nomes de Oscar Cullmann, Clark Pinnock, John Stott, John William Weham, Edward Green, Philip Hughes, David Edwards, Basil Atkinson, Greg Boyd, William Branham, Harold Camping, Charles Fitch, Roger Foster, Fudge Edward, Charles Gore, Henry Grew, Homer Hailey, Emmanuel Pétavel-Olliff, Oliver Chase Quick, Ulrich Ernst Simon, George Storrs, William Temple, dentre tantos outros eruditos e teólogos de renome, que não eram adventistas nem testemunhas de Jeová, e que, mesmo fazendo parte de denominações que pregavam a imortalidade da alma, adotaram a postura de mortalidade da alma após um exame bíblico sério e honesto consigo mesmos.

Todos eles poderiam ter mantido a sua crença na imortalidade da alma, o que seria muito mais fácil e confortável para eles. Mas, mesmo sofrendo não poucas vezes a oposição e perseguição de ataques contrários, eles não puderam fechar os olhos para as tão grandes e notáveis evidências bíblicas que combatem tão fortemente a crença na imortalidade da alma, que pode até enganar a muitos com uma dúzia de versos isolados sem exegese, mas que dificilmente resiste a um exame bíblico criterioso respeitando as normas da hermenêutica bíblica.

É claro que ainda existem aqueles que hesitam, que perseguem, que chamam os outros de hereges sem examinar a si mesmos, que olham torto, que são fechados para a verdade. Isso sempre existiu, e sempre existirá. Paulo foi debochado pelos gregos, porque pregava a ressurreição dos mortos, e eles a imortalidade da alma (cf. At.17:32). Por isso, não é de se surpreender que a mesma coisa aconteça nos dias de hoje.

Mas a minha alegria é ver que não estou sozinho nesta batalha – estou cercado de tão grande nuvem de testemunhas, entre leigos e eruditos, das mais diferentes denominações religiosas, que cada vez mais estão abrindo os olhos para a verdade e se libertando do engano. Destes, sou apenas mais um militante. Apenas mais um que, ao invés de iludir você dizendo que certamente não morrerás, digo que Deus é o único que possui a imortalidade, mas que Cristo é a ressurreição e a vida.

Quem tem ouvidos para ouvir, OUÇA!

Fonte:
Prefácio do livro “A Lenda da Imortalidade da Alma”, de Lucas Banzoli.

ARTIGOS RELACIONADOS NOS LINKS ABAIXO:
A alma NÃO É imortal! (17)
Inferno NÃO é fogo ETERNO! (11)

 

3 Comments

  1. Jennifer Rosa

    É muito bonito ver cristãos sinceros em busca da verdade 💟

  2. Simone

    Fiquei feliz porque também aprendi que os mortos estão vivos no céu o no inferno agora eu descobri que não porisso vai ter ressurreição Obrigada por esta materia

  3. Luiz Carlos

    O SENHOR está preparando sua verdadeira igreja. A Seu tempo, todos os Seus enxergarão com nitidez o que antes não viam, mesmo que lessem muito.

    Deus te abençoe

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