Guerra espiritual, Quer ser plenamente LIVRE?

Os arrependidos precisam ARREPENDER-SE! – parte 1

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1 João 1:9)

Existe uma tema que quase nunca é discutido em meio a cristandade. E ele é tão importante, que não pode deixar de ser tratado exaustivamente e detalhadamente, até que todos entendam a importância e o pratiquem SEMPRE e da forma CORRETA. E este tema é a CONFISSÃO DE PECADOS.

O silêncio sobre isso tem sido um dos motivos para o estado lastimável da igreja na terra. Uma igreja que não sabe a sua missão, o seu papel, o seu legado poderoso. Uma igreja que não entende o que realmente SIGNIFICA o CORPO DE CRISTO caminhando no planeta.. Um Corpo completo, com cabeça e demais membros.. Um corpo com poder de mudar histórias, dar liberdade aos cativos, riso aos corações que só conseguem chorar… Um corpo que, guiado única e exclusivamente pela cabeça, tem, para quem perguntar, respostas de VIDA ETERNA… Para quem precisar, vida ao invés de MORTE… Para quem ansiar, luz ao invés de TREVAS.

Olha pra mim, caro leitor. Presta atenção.. MUITA ATENÇÃO! Jesus, o Messias de Israel, foi ENVIADO pelo Pai a este mundo com uma MISSÃO queimando em seu coração. E, antes de cumprir de fato essa missão, ele precisava VENCER O MUNDO e a MORTE.. E, após essa tremenda vitória, alcançada com lágrimas e dor, Jesus se tornou o nosso Senhor e Salvador do mundo. Tamanha vitória NÃO foi pra salvar alguns do inferno e levá-los seguros para o céu. Não, caro leitor. Já vimos neste blog o quanto isso é um ensino enganoso. Sua missão era algo muito MAIOR!

Jesus venceu o mundo, venceu a morte, e partiu para uma importante ETAPA, anterior ao cumprimento da missão. E qual era essa etapa? Veja o texto abaixo:

“E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em UM CORPO os filhos de Deus que andavam dispersos.” (João 11:49-52)

Esse texto revela duas coisas tremendas. A primeira confirma o ensino sobre as Duas Casas de Israel. Pois os Filhos de Deus fazem partes desses dois grupos.. Casa de Israel.. Casa de Judá. Estão dispersos, separados, mas NO CRISTO, se tornam um CORPO SÓ. Mas a segunda coisa tremenda que esse texto revela é que, para que a MISSÃO de Jesus entrasse em vigor na terra após a sua VITÓRIA, ele precisava REUNIR os filhos (demais irmãos) em um só CORPO. Seu Corpo na Terra.. O CORPO DE CRISTO.. Ele cabeça.. demais irmãos, os membros. Cabeça, pés, braços, mãos.. Mas…Para que formar um CORPO, caro leitor? Para tocar os povos, transformar, curar, mudar histórias. Uma nação de sacerdotes, tocando as demais nações da terra. Todas as demais! Homens e mulheres sabendo quem são e qual a sua missão, sabendo sob autoridade de quem caminham neste mundo.. O Poderoso Rei e Messias, Yeshua (Jesus, em hebraico)!

“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” (1 Coríntios 12:12)

“Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.” (1 Coríntios 12:27)

Ele VENCEU o mundo e a MORTE.. Ele está reunindo os Filhos em um só CORPO… Então.. agora, tudo estava pronto para o cumprimento de fato de sua MISSÃO. E qual era a missão que queimava e queima no coração de Jesus, o nosso Messias? Para que o Pai o enviou ao mundo? O texto abaixo tem a resposta:

“Para isto o Filho de Deus se manifestou: para DESTRUIR as obras do diabo.” (1 João 3:8)

Continua focado, prestando muita atenção. Se você se RENDEU ao senhorio de Cristo, caro leitor, se você realmente anda com Ele e faz parte do Seu Corpo, então está debaixo da MESMÍSSIMA missão para a qual o Filho Unigênito do Pai foi enviado. Jesus foi enviado ao mundo pelo Pai… e também enviou VOCÊ… enviou a mim.

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.” (João 17.17,18)

Então, sob a direção e autoridade do Senhor Jesus Cristo, que venceu o mundo e a morte, NÓS também estamos aqui neste mundo, enviados por Jesus, para DESTRUIR as obras do diabo onde quer que elas se manifestem! Então, como filhos de Deus também sonhados desde a eternidade como Jesus.. e como membros de um CORPO PODEROSO, temos total possibilidade de destruir todas as obras demoníacas no mundo, onde quer que elas se manifestem, a começar em nosso coração. Veja os textos abaixo:

“Depois virá o fim, quando (Cristo = Jesus, cabeça… e demais irmãos, membros) tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.” (1 Coríntios 15:24-27)

“E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés.” (Romanos 16:20)

“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,” (Efésios 1:22)

Olha pra mim.. Continua comigo, focado. Se você faz parte do CRISTO, então você não pode se distrair, se misturar com este reino aqui, reino que está morto em Satanás. Se você faz parte do CRISTO, PRECISA focar o Reino de Jesus e, juntamente com Ele, que é a cabeça do Cristo, pisar e DESTRUIR as obras de Satanás dia a dia.

“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12)

Se você nunca meditou nessas coisas, nunca compreendeu de fato qual a missão do CRISTO a qual você faz parte, eu peço ao Pai que a partir deste estudo algo poderoso seja conectado em seu coração, em Nome de Jesus, e toda a sua vida mude e passe a ter sentido. Que seu entendimento não seja atrapalhado ao ler os artigos dessa série de estudos sobre a CONFISSÃO DE PECADOS. Que a luz do CRISTO clareie seu interior.. que o PODER que flui no CRISTO atue em você e através de você… através de nós. Amém!!

TUDO COMEÇA COM CONFISSÃO DE PECADOS

A CONFISSÃO nos conecta ao CORPO DE CRISTO, caro leitor. Impossível um filho de Deus fazer parte do CRISTO sem confissão de pecados. Tudo começa com confissão e arrependimento. E veremos neste estudo mais a frente que essa confissão e arrependimento VEM ANTES da conversão de fato. Este é o ponto de partida. A confissão é a ponte!..

Você, no momento que se rende a Jesus, reconhece que é pecador, se arrepende, pede perdão e nesse momento é selado pelo Espírito de Jesus e está APTO a vencer com Ele o REINO DAS TREVAS que impera atualmente no planeta.

Mas, é justamente nesse ponto de partida que a igreja do Messias de Israel não é devidamente instruída, o que têm gerado uma multidão de servos sem forças, sem unção, sem autoridade, sem saúde física e espiritual. Se você descuida ou não compreende a importância de CONFESSAR seus pecados, esteja certo que todas as demais coisas também ainda não foram devidamente entendidas. E por que não foram? Porque todas as coisas espirituais somente são compreendidas
espiritualmente!

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14)

O verbo “discernir” significa “perceber claramente”, distinguir, compreender, entender. As coisas espirituais só são entendidas, compreendidas se o Espírito de Cristo clarear tudo pra você. Mas, só as entende quem está no CRISTO.. só as entende quem está conectado ao CORPO DE CRISTO.. Sem confissão de pecados, você está irremediavelmente bloqueado para entender. Sem confissão de pecados você não se CONECTA ao CORPO de Cristo e, se não for conectado ao Cristo, a vida que flui no CORPO de Cristo não flui em seu interior. Você então, mesmo tendo entregado seu coração a Jesus, não consegue experimentar a VIDA ABUNDANTE que Ele disse que tem para nos dar. Sem confissão de pecados você não consegue experimentar e compreender a vida que FLUI NO CRISTO E ATRAVÉS DELE. Sem confissão de pecados, você não consegue ANDAR EM SANTIDADE.. Sem santidade, você não está APTO para a Missão ao qual vc recebeu… E se você não está inserido na mesma MISSÃO de Cristo, então você caminha a passos largos para não ser um filho VENCEDOR no final.

Sem arrependimento e confissão, não há salvação, resgate, restauração em sua vida. Sem arrependimento e confissão, a pessoa ainda está morta em seus delitos e pecados. Não há quem não cometa pecado. Seja ele quem for. Pecado público e pecado escondido, pecado individual e pecado grupal, pecado leve e pecado grosseiro, pecado remoto e pecado recente, pecado contra o Criador e pecado contra a criação, pecado contra a família e pecado contra a igreja, pecado
consciente e pecado inconsciente, pecado novo e pecado repetido.

Mas, a morte de Jesus na cruz tornou possível o perdão de pecados. Qualquer pecador, depois de convencido de seu pecado e depois de se arrepender dele, pode confessá-lo a Deus para ser perdoado e purificado (1Jo 1.9). Então, o pecado será apagado e desaparecerá como a neblina com o levantar do sol. Deus mesmo o lançará na mais profunda fossa oceânica. Depois da convicção do pecado, depois do arrependimento e depois da confissão, Deus apaga definitivamente o pecado (Sl 51.9) e trata o pecador como se ele não tivesse pecado (Rm 5.1). MAS SEM CONFISSÃO, NADA DISSO OCORRE.

A confissão é um direito outorgado pela misericórdia de Deus para uso contínuo até que venha o Senhor e transforme nosso corpo miserável “para ser igual ao corpo de sua glória” (Fp 3.21). Enquanto houver arrependimento tão grande quanto a culpa, nada impede que o pecador volte contritamente à confissão quantas vezes forem necessárias (Mt 18.22)!… Mas quero alertá-lo sobre as consequências de uma vida vivida cheia de pecados intencionais. Vou publicar um artigo a parte deste estudo, apenas tratando especificamente dessas consequências, tão pouco discutidas em meio a cristandade.

Se você não confessa seus pecados, você não está inserido na MISSÃO do Corpo de Cristo. Se você não confessa seus pecados e se arrepende deles, você não tem PODER para destruir as obras do Diabo na sua vida e nem na vida do seu próximo. E, se você não está inserido na MISSÃO e no Corpo de Cristo, você não experimentará NUNCA a vida que o Cordeiro de Deus proporciona.

Ei, caro leitor. Olha pra mim e medite nessas perguntas retóricas. Está cansado e desanimado dessa coisa toda de igreja? Tá confuso, com vontade de abandonar tudo, inclusive seu casamento? Tá se sentindo abatido, não consegue mais orar há anos, não abre sua bíblia há milênios e nunca experimentou relação real com Jesus? Tá passando em sua cabeça desistir de Jesus de uma vez? Desistir, já que nunca viveu de fato uma vida com Ele? Se você enxerga em você esse quadro, quero lhe dizer que há como MUDAR essa situação rapidamente..e profundamente. Quero lhe dizer que é possível você ser RESTAURADO e FLORESCER na presença do nosso Pai, com força, com poder, com alegria, em intimidade, se relacionando com Jesus no seu dia a dia.

Sabe por que sua vida espiritual está assim? Porque você foi ensinado que, assim que se rende a Cristo, todas as coisas que fez, todos os seus atos anteriores, todos os pactos que fez com Satanás, todo o envolvimento com esoterismo, todas consagrações ao inimigo, tudo.. Absolutamente tudo é automaticamente APAGADO e vc está como que NOVO em folha para começar sua nova vida.

Mas quero lhe dizer que isso NÃO É ASSIM. Nesta série de estudo você vai entender que TODO pecado não confessado, cometido seja antes ou depois de você render-se a Cristo, suga todo seu vigor espiritual. Não importa quando você o cometeu.

Quando Jesus diz: “eis que faço NOVA todas as coisas (Apoc. 21.5)”, o que ele está dizendo é: “agora que você está selado com o meu Espírito, você tem real possibilidade de RESTAURAR, RECOMEÇAR, se LIBERTAR e se LIVRAR de todo o PECADO e se conectar de verdade ao Meu Pai.. Agora que você se rendeu a mim, eu farei nova TODAS AS COISAS.. Basta você se arrepender e confessar todo seu pecado ao meu Pai, em meu Nome, que você ficará LIMPO. Por causa do sangue que eu derramei na Cruz por você isso agora é possível.”.

Se você não parar, caro leitor, e mergulhar dentro do seu interior e arrancar de lá, através da CONFISSÃO DE PECADOS toda a imundície cometida por você, você não experimentará o que realmente é VIDA ABUNDANTE, você não estará de fato inserido no CORPO DE CRISTO.. Por isso que sua vida espiritual está MORTA!.. Se isso não acontecer, você não saberá NUNCA o que é andar de fato com Jesus.

Vamos analisar isso juntos na Palavra? Será que estou falando alguma heresia?

Você sabe que neste blog eu tenho buscado trazer todos os temas que eu considero importantes serem restaurados. Você já leu aqui muita coisa e sei que muita coisa o surpreendeu. Este tema já deveria ter sido postado. Em minha opinião, fico surpresa de não ter pensado em postar este estudo ANTES de qualquer outro. Mas, como sempre clamo ao Pai para me trazer o que Ele quer que eu poste, então eu sinto paz e tenho certeza absoluta que ESTE É O TEMPO para este tema. O tempo é agora!

É este o tempo de você RECOMEÇAR! O Senhor é o Senhor dos RECOMEÇOS. Chega de viver essa vida, onde você não consegue sair do lugar. Onde você está sempre bloqueado e nunca não conhece o Pai e Jesus em intimidade, mesmo querendo MUITO isso. Chega de viver com terríveis conflitos em várias áreas de sua vida. Vamos passear pela Palavra. Vem comigo, vem. Sem pressa. MAS FOCADO!

Quero compartilhar um texto muito REVELADOR escrito pelo pastor Alcione Emerich, muito querido do meu coração. Ele tem um ministério lindo aqui em meu Estado (ES) chamado SECRAI, retirando milhares do cativeiro todos os anos. Leia com atenção e que o nosso Pai abra seu entendimento para uma questão MUITO IMPORTANTE sobre confissão de pecados. Peço ao Pai que você vire o jogo em sua caminhada espiritual a partir de hoje, em nome do nosso Amado Jesus.

Antes e Depois da Conversão (do Cativeiro)!

“1.Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
2. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes cousas o Senhor tem feito por eles.
3. Com efeito, grandes cousas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres.
4. Restaura Senhor, a nossa sorte, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto do Neguebe.
5. Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.”

(Salmo 126)

Este salmo acima nos mostra com clareza os dois estágios pelos quais Israel passou após o cativeiro. Com esta história quero introduzir falando sobre os dois estágios que o cristão também passa após seu encontro com o Senhor.

O historiador Jerônimo traduz a expressão do verso um, da seguinte forma, “quando o Senhor reconduziu os cativos para Sião”, ou seja, quando Deus os trouxe de volta para sua terra de origem, de onde vieram. Qual o contexto dessa passagem? Ocorreu logo após o retorno de Israel do cativeiro na Babilônia, lugar onde ficaram escravos por cerca de 70 anos. Eles achavam que pelo fato de serem “o povo de Deus”, “filhos de Abraão” e também por habitarem num lugar santo e prometido, estariam com isso imunes a todo ataque e domínio estrangeiro, e isso independente de cumprirem ou não a Palavra de Deus, ou seja, a sua ordem. O povo descobriu e sentiu na pele o quão doloroso é andar longe dos caminhos e da vontade de Deus. Setenta anos em cativeiro! Setenta anos escravizados pelo INIMIGO. Há coisa mais terrível para um povo que conhecia a Deus?

“Mas, finalmente, o tempo de disciplina estava cumprido, agora estamos livres”, diziam eles. É exatamente neste momento de SAÍDA do “cativeiro” que o salmista escreve dizendo, “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles”. Dá para imaginar a grande alegria do povo quando se viu fora do cativeiro, liberto? Que grande alegria, até parecia um sonho!

Olha pra mim. Assim é também conosco no momento da conversão, após a saída do cativeiro. É um momento de muita alegria, de festa, de alívio. Ficamos às vezes sonhando de olhos abertos e pensando, “puxa vida, porque eu não entreguei minha vida a Jesus antes? Por que perdi tanto tempo neste mundo?…”. Engraçado que até as pessoas ao nosso redor (no texto, as nações) ficam também comentando ao nosso respeito: “Lembra-se daquele fulano? Nem te conto. Sua vida está completamente mudada, está feliz, alegre, livre dos vícios! Deus fez grandes coisas por ele!”. Não é assim que acontece após nossa conversão? É assim porque voltar-se para Deus é algo glorioso. No entanto, este é apenas o PRIMEIRO ESTÁGIO.

Quando o salmista registra o povo saindo do cativeiro, ele diz: “Quando o Senhor restaurou a nossa sorte…”, isto é, agora fora do cativeiro, Israel tem a oportunidade de viver livre e não mais debaixo do jugo inimigo. O povo agora está a caminho de casa. Que grande alegria! São setenta anos fora de sua terra. Dias, semanas e até meses de caminhada até Sião, mas, no entanto o clima de alegria permanece. Depois de uma longa caminhada, a terra natal já pode ser avistada.

“Mas… o que é isso?” Começam a perguntar um ao outro, chocados…. “Onde estão os muros de Jerusalém?.. Onde está o templo?… Onde estão também nossas casas?… E as plantações, todas se acabaram? Então, lentamente o clima festivo e alegria interior começou a arrefecer-se instantaneamente…. Aqui, caro leitor, começa o SEGUNDO ESTÁGIO.

Este é o segundo estágio após a saída do cativeiro e também após nossa conversão. É neste ponto que o salmista toma a sua caneta e põe-se a orar e a escrever dizendo: “Restaura Senhor, a nossa sorte, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto do Neguebe.. Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (v.4-6).

Israel está perplexo com o fato de que agora precisam restaurar o que um dia esteve de pé. Estava TUDO dizimado. Setenta anos fora de casa, no cativeiro, no mundo, fez com que a terra permanecesse também setenta anos abandonada, nas mãos do inimigo. Este povo agora se depara com uma grande lição: O cativeiro acabou, mas as marcas dele ficaram. Agora, é tempo de reconstrução, tempo de restauração, tempo de reerguer os muros, reconstruir as casas e, sobretudo, tempo de reerguer as paredes do templo e restaurar a adoração e o serviço divino.

Assim, caro leitor, também ocorre conosco: após nossa conversão, que tempo gostoso, o primeiro amor queima em nosso coração. Lembro da sensação logo que me converti. Lembro da grande vontade que sentia em ler a Palavra (comê-la na verdade) e da vontade de orar. Mas chega um momento semelhante a este de Israel, quando nos deparamos com muitas áreas de nossas vidas que estão em completa destruição: são as marcas do cativeiro, ou seja, a conseqüência de termos permanecido tanto tempo no mundo, expondo-nos à ação deliberada de Satanás. Estas áreas podem ser o casamento, as finanças, nossas vidas espirituais, reputação, etc. Este é o segundo estágio após nossa conversão. Então, nossa oração PRECISA ser como a do Salmista: “Restaura, Senhor, a nossa sorte”!

Nem Tudo Está Acabado Após a Conversão

Por que essa analogia foi usada? Para mostrar que a ideia de que quando nos convertemos, já está tudo pronto e acabado, não passa de um engano! É interessante que o próprio salmista inicialmente pensou também assim, quando afirmou que Deus havia restaurado a sorte do seu povo. Mas foi um equívoco temporário, pois entendeu mais adiante que a restauração não havia sido plena no momento em que “saíram do cativeiro” e que havia agora muita obra a ser feita, muito trabalho. É por isso que depois, no versículo quatro, ele se põe a orar dizendo: “restaura, Senhor, a nossa sorte…”. Igualmente, existem muitas pessoas que pensam que no momento em que se convertem, passam a experimentar imediatamente tudo aquilo que Deus quer que elas experimentem, ou então, que já experimentaram toda obra da cruz. Mas as coisas não são bem assim. O fato da obra da cruz ter sido plenamente completa e acabada, não quer dizer que eu já tenha sobre a minha vida tudo aquilo que Cristo veio fazer por mim. Quanto a isso, João Calvino muito sabiamente nos alertou:

“Já salientei que Cristo não deixou inacabada nenhuma parte da obra da nossa salvação; mas não devemos inferir disso que já possuímos todos os benefícios obtidos por ele para nós, pois… na verdade: “…em esperança fomos salvos”; “ainda não se manifestou o que haveremos de ser”… Nesta vida atual desfrutamos de Cristo à medida em que o abracemos por meio das promessas.”

Situação semelhante ocorreu na tomada da terra de Canaã. Deus a prometeu desde a época de Abraão, mas foi Josué que introduziu o povo na terra. No entanto, embora a terra lhes pertencesse por promessa, Deus lhes disse:

“Quando houveres passado o Jordão para a terra de Canaã, desapossareis de diante de vós todos os moradores da terra, destruireis todas as pedras com figuras e também todas as suas imagens fundidas e deitareis abaixo todos os seus ídolos; tomareis a terra em possessão e nela habitareis, porque esta terra, eu vo-la dei para a possuirdes” (Números 33:51-53)

E a Josué disse também o Senhor:

“…dispõe-te, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés (…) Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento prometi dar a seus pais” (Josué 1:2,3,6)

Em outras palavras, Deus está dizendo ao seu povo: “Vocês tem esta terra por promessa, agora entrem lá e tomem posse!”. Entende bem o que está sendo dito aqui? Responda-me uma coisa: o que aconteceria se o povo de Israel não fosse e tomasse a terra? Simplesmente, deixariam de experimentar esta promessa divina. De fato, toda uma geração morreu no deserto por não crer na promessa do Senhor. Lembra-se das gerações dos dez espias incrédulos? Pois bem, eles eram filhos da promessa, mas morreram sem elas. Não tomaram posse, não creram naquilo que Deus lhes havia prometido.

Eu acredito que assim também se dá conosco em relação à cruz de Cristo. Temos todas as promessas à nossa disposição, mas parece que muitos de nós não se apropriou disto. Existem cristãos que vivem como escravos e não como filhos de Deus, conforme João 1:12. Se acham perdedores, embora a Bíblia lhes declare que são mais do que vencedores. Precisam com urgência renovar suas mentes, conforme Paulo nos ensina em Romanos 12:1,2.

Estágios da Obra de Cristo no Homem

Este é um ponto que poderia ser em demasia teológico, mas este não é meu objetivo aqui. Rapidamente vamos esclarecer algumas terminologias bíblicas e como elas se enquadram no processo de transformação do homem à semelhança de Cristo.

Primeiramente, como uma pessoa se converte a Jesus?

Sempre escutando a voz de Deus:

Esta voz pode ecoar-se a partir da própria Palavra de Deus escrita e/ou pregada (com a maioria é assim) ou também de um modo sobrenatural, assim como foi a experiência de Paulo, quando a caminho de Damasco, ouvi literalmente a voz do Senhor(At 9). O Apóstolo escreve também em Romanos 10:14, “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram?”. Diante da voz de Deus, o homem pode reagir crendo ou não, endurecendo ou abrindo o seu coração. É certo que a voz de Deus é poderosa para quebrar os “cedros do Líbano” e fazer quebrantar o mais vil pecador.

Crendo e Confessando:

Veja o que diz a Palavra: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10:9). Relatou-nos também Lucas em Atos 19:18, “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas obras”. Crer é responder com fé à mensagem ouvida e confessar é declarar Cristo como nosso único e suficiente salvador.

Arrependimento e Confissão de Pecados:

Aqui está um ponto que tem me deixado preocupado. Sempre na Bíblia as conversões são precedidas de arrependimento. Alguns teólogos tentam colocar o arrependimento como uma experiência que se dá após a justificação e também regeneração, mas se fizermos uma análise atenta dos textos bíblicos, veremos que o arrependimento é exigido antes da conversão e em alguns momentos até mesmo antes de se crer no filho de Deus (cf. Mc 1:15). Algumas passagens podem comprovar isto:

“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3:2)
“Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 4:17)
“Dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Marcos 1:15)
“…Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.” (Mateus 21:32)
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados.” (Atos 2:38)
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (Atos 3:19)
“Ora, não levou Deus em conta os tempos de vossa ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam.” (Atos 17:30)

Nas passagens expostas, o indivíduo precisa arrepender-se para “esperar o reino dos céus”, “para crer”, “para ser remido dos seus pecados” e também para “converter-se”. Se o arrependimento é uma mensagem tão central nos evangelhos, a ponto de ser a primeira atitude ensinada por Jesus (aliás, Mateus registra que esta foi a primeira palavra proferida por Jesus após inaugurar seu ministério), qual tem sido o nosso entendimento sobre tal postura perante Deus e como pode dar-se o arrependimento?

Primeiramente, precisamos entender que a palavra arrependimento vem do grego metanoia, e quer dizer literalmente, mudar a mente. Significa então uma mudança mental, uma completa transformação da nossa mente em relação àquilo que desagrada a Deus. Arrependimento é também sentir a dor pelo nosso pecado e entender também que o mesmo entristeceu profundamente o coração de Deus. Arrependimento é uma ordem bíblica, não é uma opção, é questão seríssima!

Um questionamento meu tem sido: Assim como Jesus nos ensinou, temos ensinado as pessoas que antes de se converterem precisam se arrepender de seus pecados? As pessoas que se convertem em nossas igrejas tem experimentado o arrependimento? Ou não? Preocupa-me o fato de que as vezes só levamos as pessoas a confessarem a Jesus, mas não as levamos à confessar seus pecados. Outras vezes, muitos antes de se entregarem a Cristo, fazem uma mera confissão formal de seus erros, sem ao menos experimentarem o que é de fato arrependimento. Fica aí uma pergunta: O que acontece quando não confessamos os nossos pecados a Cristo no momento de nossa conversão? É necessário fazermos isso, se é que não o fizemos, mesmo que já tenhamos entregado nossas vidas a Cristo? Sinceramente, eu tenho crido que sim!…

Biblicamente, o arrependimento é uma experiência que se dá antes e também após nossa conversão ao Senhor. Veja isso em algumas passagens. Uma outra coisa também a questionar-se é o modo como deve dar-se o arrependimento. Os meios principais são dois: Primeiro, confessando o pecado e depois, produzindo frutos dignos de arrependimento. Confessar pecados é fruto de nosso coração arrependido, isto é, quando o fazemos sinceramente. João diz, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). Mas esta confissão deve ser genérica ou específica? Ou seja, devemos nos chegar a Deus e dizer, “Senhor, são tantos pecados que não posso contar….”? Ou então, “Senhor, perdoe a multidão dos meus pecados…”?, etc. Será que este é o modo correto de confessar nossa iniqüidade a Deus? Eu particularmente, acredito que não. Se os nossos pecados foram praticados a varejo, porque confessá-los por atacado? Cada pecado, na medida de nossas possibilidades deve ser confessado individualmente, pois cada um deles feriu profundamente o coração de Deus. Interessante que esta confissão específica foi defendida pela Confissão de Fé de Westminster escrita no século XVI, adotada pelas Igrejas Reformadas. Veja o que consta no capítulo sobre arrependimento,

“Os homens não devem se contentar com um arrependimento geral, mas é dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um de seus pecados.”

Veja também a declaração de Charles Finney, o grande evangelista que Deus usou poderosamente no avivamento dos Estados Unidos:

“Passemos em revista a história do nosso passado. Tomemos, um a um, os nossos próprios pecados e examinemo-los. Não quero dizer que devemos dar um simples relance à vida passada, verificando que foi repleta de pecados, para então ir a Deus fazendo-lhe uma espécie de confissão geral e pedindo perdão. Não é assim. Temos que toma-los um a um. Seria aconselhável tomar nota de cada um à medida que nos lembrarmos. Devemos revê-los com o mesmo cuidado que um comerciante revisa os seus livros, e todas as vezes que nos vier à memória um pecado, acrescentemo-lo à lista. Confissões gerais de pecado não servem. Nossos pecados foram cometidos um a um, e até onde nos for possível apurá-los, devemos nos arrepender de um por um.”

Em relação ao arrependimento, já chegamos até aqui a duas conclusões: Primeiro, o arrependimento precisa estar presente nas conversões e se tal atitude não se evidenciou no período de nossa entrega ao Senhor, é preciso que se faça este “acerto” com Deus. A segunda coisa, é que na medida do possível, o arrependimento deve ser específico. Confissões gerais a Deus talvez sejam tão ineficazes como quando alguém confessa erros de modo superficial ao outro que está ferido. Confissões gerais não curam, não libertam e também não restauram, até mesmo os relacionamentos mais distantes.

Para finalizar esta parte só gostaria de enfatizar duas coisas: Primeiro, que o tempo por si só não apaga os nossos pecados. Alguns pensam que vai chegar um momento em que Deus se esquecerá de tudo que fez de errado na sua vida, mesmo que não confesse estes pecados. Querido irmão, o pecado não tem prazo de validade. Não é um tipo de mercadoria que com o tempo torna-se descartável e assim perde sua validade. Não! Só há uma coisa que pode dar jeito em nossos pecados: O Sangue de Jesus. Veja o que diz em Hebreus 9:22:

“E, sem derramamento de sangue, não há remissão”.

Ele já foi derramado por nós na cruz e por isso temos a possibilidade do perdão. Mas como experimentar isso? João responde:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). A confissão é o modo de apropriação do poder remidor do sangue de Cristo!

Finalmente, há que se dizer que os nossos pecados tem nome. Quando Paulo escreve aos gálatas ele diz que as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias, etc. Paulo foi específico em dizer o nome de cada pecado.

Em Deuteronômio 27, quando ali Deus profere as causas das maldições, é também especificado tipo de pecados que atraem as maldiçoes. Por que nestas duas situações Deus não disse logo, e vamos assim dizer, pra encurtar conversa: “Tudo de errado que vocês fizerem, me desagrada…” ou então, “Todos os pecados atraem a maldição…”, etc. Não, não é assim que Deus faz. Ele menciona o nome de cada erro e em outras palavras, o que Ele quer nos ensinar é que cada um dos nossos pecados tem um nome. Por isso, quando for confessar seu pecado a Deus, ao invés de dizer: “Senhor, perdoe os meus pecados…”, diga, “Senhor, perdoe a minha mentira, os meus maus pensamentos, minha inveja, etc… tem misericórdia de mim Senhor, me lava no sangue de Jesus”.

Só para ilustrar, veja, por exemplo: Quando você errar com alguém, ao invés de perdir-lhe perdão dizendo: “fulano, me perdoe por qualquer coisa aí, ok?” ou então, “vai me desculpando de qualquer mau que eu tenha lhe causado”. Ao invés disso, diga o que você fez de errado, dê nome ao seu erro, diga: “Ricardo (por exemplo), eu quero lhe perdir perdão pelas duras palavras que eu lhe disse naquele dia. Na verdade você não é nada daquilo. Me perdoe por ter lhe humilhado em público, sei que fiz errado, mas perdoe, por favor…”. Ou o marido pode dizer a esposa: “Meu amor, me perdoe sinceramente por ter-lhe traído, nunca especifiquei meu erro com você e sei que isso até hoje atrapalha nosso relacionamento”. Está entendendo isso direitinho?

Dar nome aos erros e confessá-los especificamente, tem um poder enorme do ponto de vista espiritual e também emocional. A experiência nos aconselhamentos tem nos mostrado que um pedido de perdão geral, quase sempre gera uma cura igualmente geral, ou seja, sem profundidade, consistência e também durabilidade. Eu creio que Deus através do nosso arrependimento pode restaurar tanto o nosso relacionamento com Ele assim como outros relacionamentos que estejam quebrados.

Conversão

Após o homem ter contato com a Palavra de Deus, escutando a voz do Senhor, crer fielmente e arrepender-se, terá agora que se voltar para Deus. A conversão é um volver-se para Deus. Para melhor explicar isso vamos imaginar o exemplo de alguém que está dirigindo um carro. Imaginemos também que esta pessoa está numa viagem com destino a São Paulo. Entretanto, mal sabe ela que a estrada em que está lhe levará para um lugar que não é São Paulo, por exemplo, Pernambuco. Pois bem, quais seriam os meios de levá-la a tomar a estrada certa? Primeiro terá que ouvir alguém falar consigo que o lugar para onde vai está errado. Isto aqui em nossa aplicação, seria ouvir a voz de Deus. Em segundo lugar, crer naquilo que está ouvindo, pois ouvir simplesmente que se está na estrada errada e que deve tomar a certa, por si só não resolve nada, a não ser que haja fé em quem ouve. Por isso, falamos também da importância da fé em Deus e na sua palavra. Em terceiro lugar, vem o arrependimento, ou seja, é preciso que haja uma reação do tipo: “puxa vida, o caminho em que estou não vai me levar onde quero, vou voltar, não vou continuar no erro”. Isso seria o mesmo que alguém após ser confrontado por Deus, dizer: “Puxa, Senhor, eu quero mesmo uma nova direção em minha vida, chega de caminhos tortuosos e que te desagradam, eu quero andar nas tuas veredas que vão me conduzir ao seu Teu Reino…”. Isto é arrependimento.

Usando ainda a nossa analogia, eu acredito que no momento em que o indivíduo pára o seu carro, toma a estrada certa e percorre o caminho rumo ao alvo, aconteceu de fato a “conversão”. Conversão então, é a retomada do caminho certo, é voltar-se para o Deus certo, aquele que nos criou e que tem nos chamado para uma nova vida em sua presença. Quando declaramos Jesus Cristo como nosso único e suficiente salvador, nos arrependemos e passamos a buscá-lo com o coração aberto, podemos dizer que experimentamos o que a Bíblia chama de conversão. É isso que está registrado em algumas passagens, como em Atos 3:19:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”.

Veja o que Pedro disse também em sua primeira epístola:

“Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo da vossa alma” (2:25).

Em outras palavras, é preciso tomar o “volante do carro” (e porque não dizer de nossas vidas?) e dirigir em direção ao pastor de nossas almas, Jesus Cristo. Isto sim é conversão!

Regeneração

Após arrependidos e convertidos, dois milagres instantâneos acontecem em nossas vidas: a regeneração e a justificação. Primeiramente, a regeneração é um termo que aparece em algumas passagens da Bíblica. Por exemplo, Pedro a menciona por duas vezes na sua primeira carta: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança….” (1:3) e também mais adiante, “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”.

Mas o que é ser regenerado? Esta palavra no grego tem sentido de gerar, gerar de novo, dar à luz, dar nascimento. Ser regenerado é viver uma nova vida, conforme nos ensinou Paulo em 2 Coríntios 5:17: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura”. É a oportunidade que Deus nos dá de recomeçarmos tudo. Mas para este recomeço, é preciso que haja uma mudança interna, em nossas disposições, pensamentos e desejos. Só podemos viver uma nova vida, se de fato, formos novas pessoas. Em Cristo isso é possível. Na regeneração Deus nos comunica vida espiritual e nos faz estar vivos perante ele e não mais mortos nos nossos pecados conforme Efésios 2:2. É claro que isso acontece mediante a habitação do Espírito Santo em nós. É preciso dizer também que este milagre somente Deus pode fazer e que o mesmo, é instantâneo e acontece mediante nossa entrega ao Senhor Jesus.

Todos os que já nasceram de novo, já experimentaram o milagre da regeneração. É uma mudança tão radical, que o mundo e os antigos amigos, não podem entender. Paulo, após regenerado, mudou tão completamente a sua vida, que passou a pregar a fé que outrora vivia perseguindo. Sua mudança foi tão abrupta, que até mesmo alguns cristãos da época ficaram a duvidar se realmente ele era ou não um novo homem. O milagre da regeneração é mesmo um grande milagre, pois vemos como Deus realmente pode mudar-nos por dentro e nos fazer completamente diferentes e novos. É uma grande alegria! No entanto, é preciso que se saliente, que este evento divino, não se processa instantaneamente em nosso alma, no momento da conversão, tornando-nos perfeitos nestas esferas. Isso não! A promessa bíblica é a de uma recriação em nosso espírito, pois foi assim que Jesus explicou a Nicodemos, “…e o que é nascido do Espírito é espírito”. A partir do novo nascimento, nossa alma, está num processo de aperfeiçoamento que as Escrituras chamam de santificação. Mais adiante voltaremos a este ponto.

Justificação

Agora chegamos ao momento de explicarmos o que é justificação. O termo aparece em diversas passagens na Bíblia, principalmente nos escritos de Paulo. Veja por exemplo, a passagem de Romanos 5:1, “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Paulo diz também que “aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8:30). Em Atos 13:39, também foi dito, “e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as cousas…”.

Mas o que é ser justificado? Ao contrário da regeneração que visa uma mudança interna no homem, a justificação é um ato puramente judicial (por isso, é um termo forense), onde Deus como nosso juiz nos perdoa e nos declara isentos de todas as nossas faltas e culpas passadas. Somos então livres da culpa e de quaisquer condenações. A justificação não se repete e nem mesmo é um processo, mas dá-se num ato, de forma completa e para sempre. Deus nos declara perdoados! Estamos livres de toda condenação.

O milagre da justificação é algo que nos remete aos méritos de Jesus Cristo, pois na cruz Ele satisfez toda justiça divina. Entretanto, há que se fazer algumas observações em relação ao ato da justificação:

Primeiro, descobrimos que mesmo após justificados, temos ainda problemas com o pecado e a Bíblia nos ensina a confessarmos estes pecados. Uma segunda coisa, e isto é uma interrogação: será que o fato do cristão ser justificado em Cristo, lhe isenta de fazer uma confissão de seus pecados? De arrepender-se? Onde se encaixaria a necessidade do arrependimento, já que Cristo nos justificou de todos os pecados? Conforme já foi falado, o arrependimento deve ser uma atitude tanto anterior como posterior à conversão. Uma passagem que exige um arrependimento anterior à conversão está em Atos 3:19, que nos diz:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”.

Arrepender-se, para converter-se e assim é claro, para ser justificado. Veja que não é o fato de Jesus ter levado todos os nossos pecados para cruz, que não precisamos confessá-los, mas pelo contrário, o arrependimento é uma ordem bíblica. Há passagens também na Bíblia que ensinam o cristão a arrepender-se de seus pecados, mesmo após sua conversão e também justificação. Veja o texto de João em sua primeira carta:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1:9). Cristo também ensinou aos seus discípulos a orarem pedindo perdão por suas faltas: “…e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12).

Mas por quê Cristo nos perdoa de nossos pecados no momento que nos arrependemos e confessamos?

João diz que porque ele é fiel e justo. Mas a quem? É a nós que Ele é fiel e justo? Também, mas aqui o texto se refere ao fato de que Cristo na cruz foi fiel e justo ao Pai, pagando assim o preço por nossos pecados, e por isso, quando nos perdoa, o que faz é aplicar a justiça da cruz, por meio do seu sangue.

Em outras palavras: é possível ser justificado por Cristo e ao mesmo tempo estar no estado de ‘não perdoado’? Isso é realmente possível? Eu acredito que sim. Mas quando? Quando não confessamos os nossos pecados a Deus e não nos arrependemos deles.

Por isso volto a afirmar o que disse há alguns parágrafos atrás: O arrependimento e a confissão são meios bíblicos de apropriação (e não de efetivação – pois isso se deu na cruz) de nossa justificação em Cristo. Assim, finalizando, é preciso que além de ressaltarmos a importância da justificação em Cristo através do seu sacrifício vicário por nós, também salientemos a nossa responsabilidade de confessarmos nossas culpas e faltas a Deus.

Só gostaria de concluir esta parte argumentativa, fazendo menção ao texto mais utilizado por aqueles que são contrários ao que temos aqui ensinado.

“E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5:17).

Eu louvo a Deus por esta passagem, e acredito como você: Cristo já levou na cruz todos os nossos pecados e por isto já não há mais condenação para nós. Agora, a questão a se pensar mais uma vez é: Será que aqui, quando o apóstolo fala que as coisas antigas passaram, está querendo dizer com isto que é desnecessário confessarmos a Deus estas “coisas antigas?” Em outras palavras, será que Paulo nos está ensinando que na medida que nossas iniquidades foram para a cruz, a confissão destes pecados é então desnecessária? Se assim fosse, então teríamos de abolir da vida cristã a necessidade da confissão e do arrependimento dos pecados, ensinos tão enfatizados nas escrituras e igualmente cruciais tanto nas mensagens de Jesus quanto na dos apóstolos. Mas parece que não é assim que a Bíblia nos ensina. Não há qualquer conflito entre estas verdades ensinadas nas Escrituras. A mesma Bíblia que nos ensina sobre justificação em Cristo e que as coisas do passado, passaram, nos admoesta também a que confessemos arrependidos nossos erros a Deus. Pois bem, é preciso que encontremos dentro de nosso entendimento, um lugar igualmente especial para as doutrinas do arrependimento e da confissão, assim como para nossa justificação em Cristo (base tanto para o arrependimento como para a confissão). A cruz continua sendo o fundamento de tudo.

Eu quero concluir essa parte dizendo, que uma das coisas que temos feito em nossos seminários de libertação nas igrejas locais, é instruirmos os crentes a fazerem uma listagem, tanto de pecados passados como dos presentes, que ainda não foram confessados, para que possam ser verbalmente colocados diante de Deus em atitude de arrependimento. Muitos têm sido os testemunhos de libertação e de uma nova liberdade em Cristo a partir daí. Vamos descobrir que muitos dos pecados que ainda praticamos no tempo presente, já encontram suas raízes no tempo em que ainda não conhecíamos o Senhor Jesus. Nos convertemos, mas não nos arrependemos especificamente destes pecados e o ciclo de quedas infelizmente continua ainda nos perseguindo (confessar-cair, confessar-cair, confessar-cair,…). É preciso que se faça uma sondagem em nossa história, vejamos desde quando estamos vivendo nestes erros a que estamos escravizados e aplicarmos ali o sangue de Cristo, pois como já lemos, “e sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9:22).

Santificação:

A minha experiência com a santificação após minha conversão foi algo interessante. Após entregar minha vida ao Senhor Jesus, eu fiquei tão tomado de alegria e êxtase, que pensei que o pecado não teria mais força e inclusive nem existência em minha vida. Eu me via um santo. No entanto, após um tempo de convivência com o evangelho comecei a perceber que velhas inclinações para o pecado começaram de novo a emergir. Lutas com os pensamentos, com as minhas palavras, com o orgulho,…., em suma, lutas comigo mesmo. Que coisa!? Eu pensei que em Cristo estaria livre destas tentações e nunca mais iria pecar. É engraçado, mais eu realmente achava isso. Mas com o tempo fui aprendendo o que João nos ensina em sua primeira epístola: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é.”(3:2). Ser semelhante a Jesus, este se tornou o meu alvo desde quando me entreguei completamente a Ele. Este é o desejo de todo aquele que já nasceu de novo!

De maneira geral, a Bíblia nos ensina duas coisas sobre a santificação: Que ela é posicional e também processual. Quando nos convertemos a Cristo, tornamo-nos de fato, santos. Por diversas vezes na Bíblia os cristãos são chamados assim. Veja, por exemplo em Efésios 1:1: “…aos santos que vivem em Éfeso” e também em Filipenses 1:1: “…a todos os santos em Cristo Jesus”. E assim poderíamos citar diversas passagens mostrando que realmente o cristão em Cristo é santo. Isto é uma santidade posicional, ou seja, advém de nossa posição de regenerados, em Cristo. Mas o problema é que ainda somos santos que pecamos. Temos lutas com a nossa natureza decaída. Por isso somos também convidados a desenvolver a nossa santidade. Por diversas vezes as Escrituras nos orientam a buscarmos uma vida correta perante Deus e assim, mortificarmos dia a dia o velho homem. Santificação foi o desejo e a oração de Jesus pelos discípulos, “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Paulo também intercedeu pelos tessalonicenses nesta mesma direção: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo (você inteiro) sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Tess 5:23). Em Efésios 4:12 se diz que os santos devem ser aperfeiçoados.

A santificação é um processo de aperfeiçoamento, onde por intermédio do Espírito Santo, a velha estrutura do pecado vai sendo posta abaixo dia a dia. Nesta etapa é fundamental a nossa cooperação, evitando dar lugar ao diabo assim como ao pecado. Mas é preciso que se tenha em mente que sermos santos no sentido exato e literal do termo, será uma realidade somente após a ressurreição, quando o corruptível se revestir do incorruptível e o mortal se revestir da imortalidade (I Cor 15:53).

Correlacionando a santificação com o processo da libertação.

Como eu já disse, quando aceitamos a Jesus, somos regenerados (cf. Ef 2:1-2; João 3:6), e entramos em um processo de denominado santificação. Paulo disse: “…transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12:2) e também nos instruiu, “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24). Mas pensa comigo, por exemplo, em pessoas que vem para a igreja, aceitam a Jesus, mas no seu histórico de vida, passaram anos e anos nas sessões espíritas invocando entidades e fazendo os mais diversos pactos. Quando vão confessar Cristo como senhor de suas vidas, geralmente são invadidas por estas forças malignas que querem é claro impedir sua libertação. Após expulsá-las e a pessoa conseguir verbalizar sua confissão a Cristo, saem da igreja às vezes com uma sensação nunca antes sentida de paz e liberdade. Mas quem trabalha com libertação e está acostumado a lidar com indivíduos que vieram “carregados espiritualmente” para igreja, vai concordar comigo numa coisa: Os demônios vão continuar perseguindo, perturbando e em muitos momentos até invadindo-os novamente. Nestes casos temos visto alguns se demorarem até dois ou três meses para serem totalmente libertos. Diante disso, a pergunta que fazemos é: Mas esta pessoa não nasceu de novo? O Espírito Santo não está nela? Eu acredito que muitas delas já nasceram de novo, são templos do Espírito Santo, mas ainda estão susceptíveis a invasões demoníacas (sobretudo os novos na fé). E tudo porque não são ensinados a confessarem seus pecados assim que ouvem o evangelho.

ESMIUÇANDO UM POUCO MAIS PARA CLAREAR SEU ENTENDIMENTO

Depois que a pessoa nasce de novo em Jesus, a cristandade foi ensinada a crer que, automaticamente, TUDO SE FAZ NOVO em sua vida, seu coração, seu interior e que todos os pecados cometidos até aquele momento são AUTOMATICAMENTE APAGADOS. Não foi isso que vimos no texto do Pr. Alcione Emerich. Essa pessoa é inserida na rotina de alguma denominação e fica ali anos sem fim, nunca experimentando o que realmente significa as expressões NASCER DE NOVO e VIDA EM ABUNDÂNCIA. E isso acontece porque NÃO é ensinado hoje, de forma clara a um nascido de novo, a grande e vital importância de CONFESSAR seus pecados, dizendo-os UM a UM.

“Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões”, ao Senhor, e tu perdoaste a culpa do meu pecado.” (Salmos 32:3-5)

Sem fazer esse momento de CONFISSÃO detalhada diante de Deus, você até pode começar sua caminhada com Jesus com toda alegria no início, com todo desejo de crescer dia a dia em sua presença, mas.. não vai demorar muito para você descobrir que NÃO CONSEGUE SAIR DO LUGAR e não consegue experimentar VIDA ABUNDANTE em Cristo.

E o que acontece invarialmente depois de um tempo, caro leitor? Uma vida cristã vazia, sem alegria. sem sentido, vivida na carne.. O resultado são pessoas com o coração confuso, pois querem muito se aproximar e viver uma vida cheia de Jesus e Deus mas NÃO conseguem… O resultado são pessoas com uma vida espiritual superficial, podendo até conhecer BEM as Escrituras, mas NUNCA o poder de Deus.

Satanás tem mantido muitos com uma vida frustrada e ineficaz, não apenas por causa da apostasia que impera, tão exaustivamente abordada neste blog, mas também por desconhecerem quase por completo o que significa confessar a Deus os pecados. E o maior triste e lastimável é que VIDA EM ABUNDÂNCIA em Cristo está completamente acessível.. e é tão simples experimentá-la.. Confesse de verdade os seus pecados e leve isso sempre muito a sério ao longo de toda sua vida até o retorno de seu Messias e sua plena GLORIFICAÇÃO na ressurreição! Entendeu bem isso?

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (João 10:10)

Quem é o ladrão neste versículo? O diabo!.. Ele rouba sua alegria, mata sua força espiritual e destrói todas as possibilidades de uma vida realmente LIBERTA do pecado. Enquanto Jesus, na outra ponta, lhe diz carinhosamente… “Eu vim para lhe trazer vida abundante!”…. Mas, para ter acesso a essa VIDA, você precisa CONFESSAR OS SEUS PECADOS. Para está conectado ao Cristo e ter PODER para seguir destruindo as obras do diabo em sua vida e ao seu redor, é imprescindível que você CONFESSE SEUS PECADOS!

QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA!

Continua…

****

Clique no link abaixo para ler artigos relacionados:
http://www.evangelhoperdido.com.br/category/quer-ser-plenamente-livre/

Referências:
SANCHEZ, André. “Deus atende as orações de quem está em pecado?”. Esboçando ideias.
EMERICH, Alcione. “Antes e Depois da Conversão. Secrai.

1 Comment

  1. Marcus Andre

    Benção!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *