A alma NÃO É imortal!, Série "A Condição Humana após a Morte"

Temos mesmo uma alma imortal?

SÉRIE DE ESTUDOS:
A Condição Humana Após a Morte!

Durante muitos séculos desde o seu estabelecimento, a Igreja de Jesus vem sendo doutrinada, treinada e direcionada a partir de crenças cujos líderes traziam de suas realidades anteriores a sua adesão ao cristianismo. Essas crenças, quase sempre, eram profundamente enraizadas nas religiões e culturas de povos pagãos e na filosofia grega. Por esse fato, ao longo do tempo, fomos impregnados de crenças que não encontram respaldo bíblico, mas são fruto do que se aprendeu de alguém, que aprendeu de alguém, que aprendeu de outro alguém, o que fez com que a Igreja estivesse fora do foco daquilo que Deus planejou para ela desde a eternidade.

Nesta série de estudos, trataremos de forma direta sobre questões relacionadas com o pós-morte, que têm levado a Igreja a uma série de equívocos provocados pela nossa forma de ler o texto bíblico sob uma ótica teológica ou denominacional. E esses equívocos, longe de serem apenas uma questão de opções teológico-denominacionais, têm desviado a Igreja do rumo, do seu propósito, fazendo-a perder tempo naquilo que não a edifica, mas que, ao contrário, a contamina!

Abordaremos questões como o Inferno (hades/sheol/geena), o destino dos ímpios, a questão da alma, a eternidade dos “salvos”, etc. Não deixe de acompanhar todas as postagens deste estudo.

Precisamos estudá-las com temor, zelo pela verdade, espírito contrito e fé no fato de que estamos vivendo o tempo da restauração de todas as coisas(Atos 3:19-21), para a honra e glória do nosso Deus, afim de chegarmos à plena verdade daquilo que o Senhor planejou para Sua Igreja.

De toda a sequência a ser abordada a seguir, talvez a mais necessária nesse início seja a questão da Imortalidade da Alma, devido ao fato dela ser a base para uma série de outros enganos a ela relacionados, que serão eliminados a partir da compreensão bíblica da verdade de Deus sobre o assunto.

Somos separados em partes?

Nesse estudo, veremos que um dos aspectos mais importantes da visão cristã do homem é a de que devemos vê-lo em sua unidade, como uma pessoa total. Os seres humanos têm sido imaginados como consistindo de partes separadas e, algumas vezes, de partes distintas, que são, dessa forma, abstraídas da totalidade planejada por Deus. Assim, nos círculos cristãos, crê-se que o homem consiste, tanto de “corpo” e “alma” como de “corpo”, “alma” e “espírito”.

Segundo o escritor Anthony Hoekema, tanto os cientistas seculares como os teólogos cristãos, contudo, estão reconhecendo gradativamente que tal entendimento dos seres humanos está equivocado, e que o homem deve ser visto como uma unidade indivisível. Cito J. A. T. Robinson, que diz a respeito do uso que o Antigo Testamento faz destes termos: “Qualquer parte pode ser tomada pelo todo”, e o que G. E. Ladd diz a respeito do que o Novo Testamento afirma: “A recente erudição tem reconhecido que termos como ‘corpo’, ‘alma’ e ‘espírito’ não são diferentes, faculdades separadas do homem, mas diferentes modos de ver a totalidade do homem.”

A despeito do que os estudiosos dizem, chegou a hora de a Igreja de Jesus, que se pretende restaurada e esclarecida sobre os fatos bíblicos rumo ao fim, verificar por si mesma o que diz a Palavra de Deus sobre o assunto. Ao estudarmos as Escrituras permitindo que elas transmitam a simplicidade de sua mensagem, livres de conceitos e dogmas enraizados em crenças populares, mesmo que cristãs, surpreendemo-nos com as verdades nelas contidas. Nesse raciocínio, precisamos ser francos em reconhecer que a Bíblia nunca mencionou, e Deus nem sequer cogitou a possibilidade de colocar no homem uma “alma imortal” e isso faz TODA A DIFERENÇA!

O relato da criação não contém nada a esse respeito, simplesmente porque NÃO ERA NECESSÁRIO! O homem foi planejado como um ser especial, criado à imagem e semelhança do Criador (Deus não é dividido em partes e o homem também não!), para viver eternamente na Terra: “Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a idéia da eternidade…” (Eclesiastes 3:11).

Assim, o ser humano já contava em si mesmo com o potencial de ser eterno e jamais morrer. E embora criado com a imortalidade, esta era condicional à obediência a Deus.

Ao longo dos séculos, e por uma série de razões sociais, espirituais e culturais das quais trataremos a seguir, os crentes passaram a crer na imortalidade da alma, utilizando-se de textos bíblicos para dar suporte ao engano, passando a crer no fato, por exemplo, de Deus ter soprado nas narinas do homem um fôlego de vida e esse ser, equivocadamente, uma suposta “alma imortal”.

A imortalidade da alma é uma crença bastante antiga

Ninrode (Gênesis 10:8-10), um proeminente líder da Babilônia (divinizado posteriormente), morreu enquanto sua esposa, Semíramis, esperava um filho dele. Quando o filho nasceu, ela declarou que o menino – que se chamou Tamuz – era a reencarnação de Ninrode que, segundo o Professor Morris Jastrow Jr., da Universidade de Pensilvânia – EUA, era representado como retornando em reis e imperadores posteriores. Segundo o professor, os babilônios antigos criam que a morte era uma passagem para uma outra vida, que continuava após a morte do corpo. Por isso, enterravam objetos junto com o morto, para que este os usasse no além. Tal prática se espalhou para muitos lugares do mundo, entre muitos povos.

Aí estava fundamentada a base das doutrinas da reencarnação e da crença na imortalidade da alma, ambas tendo o espiritismo como “pano de fundo”, que têm marcado quase que a totalidade das falsas religiões existentes na terra.

Disse satanás: “é certo que morrereis..”

De modo geral, o fato dessa ideia já ter sido anteriormente pregada por satanás no Jardim do Éden, como escrito em Gênesis 3:4, em que ele diz: “…é certo que não morrereis” quando Deus disse: “…é certo que morrereis”, precisa ser significativo para nós, pois nos mostra que o objetivo do diabo emopor-se ao projeto de Deus de um reino eterno a partir da santidade, é igualmente antigo.

Como já tinha conhecimento do plano maravilhoso do Senhor para o homem, o que satanás precisaria fazer era prometer algo em contrapartida ao que o Criador prometera. Ao introduzir a doutrina falsa de que a alma nunca morre, como base do seu esquema de adoração, o diabo mostra que não vai deixar por menos: se Deus promete a vida eterna a quem O ama e O obedece, ele precisa prometer algo em contrafação, para que as pessoas creiam nele, e o adorem, mesmo que não percebam o que fazem.

Quando o Criador disse a Adão e Eva que eles morreriam se desobedecessem, até àquele momento, eles não tinham a menor ideia do significado de morte. Isso não fazia sentido para eles, até porque, como já dissemos, o projeto original era viver eternamente com Deus na terra. E ao prometer a morte em caso de desobediência, o Criador não estava dizendo que, ao morrerem, sua alma se desprenderia do seu corpo e permaneceria em algum lugar, independente do corpo, que voltaria ao pó. É impressionante como nos desviamos dessa verdade simples! Em paralelo, lúcifer sim, prometera uma alma eterna, distinta do corpo, que nunca morreria, mas iria sendo aperfeiçoada sucessivamente. Ele precisava criar um atrativo para as pessoas se ligarem a ele como adoradores.

Na verdade, a promessa de satanás foi bem mais interessante que a de Deus! A proposta do diabo, do ponto de vista humano, foi bem mais atraente do que aquilo que Deus disse: afinal de contas, mesmo reconhecendo que pecou, o homem não queria morrer! Fomos feitos assim: com a natureza preparada para a vida eterna, e a serpente sabia disso!

Esse foi o princípio pelo qual o diabo conseguiu seduzir a Eva; ela acreditou que, diferentemente do que Deus dizia, se comesse daquele fruto, não morreria, mas ao contrário, seria ainda mais inteligente, conhecendo o bem e o mal.

O que satanás ensina é muito simples. Ele diz que nós não morremos nunca(esvaziando a essência da ressurreição de Cristo), e que, após a morte do corpo, a alma subsiste. E para que a alma não sofra após a morte, basta que nessa terra sejamos pessoas boas.

Portanto, apesar do engano, aquilo que satanás faz crer é bem mais fácil de aceitar do que os argumentos de Deus. Mas se nós já fôssemos eternos(como prega o diabo), não teríamos a necessidade de um completo arrependimento, nem de sermos santificados, para que pela transformação, viéssemos a ressurgir dos mortos por escolher amar a Deus e voltar a ser eternos. A proposta de Deus é dura porque requer esforço, obediência, escolha e mudança de vida, mas nunca podemos nos esquecer de que esse é o plano! O reino é para o remanescente fiel e vencedor!

Portanto, é compreensível que desde muito tempo atrás, a doutrina da imortalidade da alma tenha se tornado uma crença tão forte entre todos os povos pagãos mundo afora, e que perdure até os nossos dias.

Mas precisamos reconhecer que nos fechamos a essas verdades, por pura soberba e orgulho. Precisamos ser humildes e pedir perdão a Deus por nos considerarmos superiores aos outros irmãos em Cristo, que não pensavam ou não pensam como nós sobre esse assunto, ao longo dos séculos, verdades tão claras nas Escrituras, mas que tentamos distorcer, para maquiar e alimentar a “nossa verdade”.

Como Igreja, nos fechamos em nossos “casulos” denominacionais, rejeitando tudo que não viesse de nós mesmos, esquecendo-nos de que Deus usa a quem quer e quando quer, para trazer suas revelações e cumprir seu propósito eterno.

“Quem tem ouvidos para ouvir, OUÇA..”

Próximo artigo: Não somos divididos em partes!

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Leia os outros artigos desta série:

Não somos divididos em partes!
A alma pode viver independente do corpo! Ensino pagão ou bíblico?

 

3 Comments

  1. Ailton Linares

    Oi Cris, tomei conhecimento do seu BLOG agora, depois que passei a pesquisar os estudos do Lucas Banzoli, o qual lhe indica. Sou cristão de nascença, porém, deixei de ser crente, evangélico ou quaisquer demais nomenclaturas que criam, pois esse títulos somente servem para nos afastar de Deus. Tenho estudado a respeito desses temas complexos sobre a imortalidade da alma, castigo eterno dos ímpios e trindade, há mais de quinze anos, e sempre existem algumas coisas que me deixam em dúvidas, no entanto, com os seus estudos, muitas incertezas estão sendo dirimidas. Continue assim, com essa disposição de abençoar vidas para a honra e Glória de Deus!!! Gostaria de lhe fazer apenas uma pergunta referente a trindade. Primeiramente, desejo lhe dizer que sou unicista; ou seja, creio em um Deus único, com três formas de agir: Pai Criador, Filho Salvador e Espírito Santo Consolador. Nada de três deuses! – Apenas um! – Contudo, a minha dúvida consiste no fato de que, se Jesus era o Deus encarnado, como muito bem afirma o apóstolo João (JO 1.1). Então, quem ressuscitou a Jesus? – Houve uma auto-ressurreição? – Já li sobre uma teoria de que, Jesus fora ressuscitado pelo anjo Miguel, o mesmo que ressuscitara Moisés (JD 9). Isso procede? – Por gentileza, sane esta dúvida.

    A paz, o amor e a misericórdia, vos sejam multiplicadas!!!

    Grato,
    Ailton Linares

    • Evangelho Perdido

      Olá, Ailton. Obrigada por comentar no blog, viu?

      Quero, com toda humildade de meu coração, simplificar o seu entendimento sobre a questão, baseada na Palavra. Farei apenas um resumo, pois o assunto é extenso, cabendo em um longo estudo e não em uma resposta de comentário.

      O que as Escrituras dizem? “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.” (1 Coríntios 8:6) Este versículo diz tudo. Quando, neste blog, você encontrar os artigos que deixam MUITO CLARO que a doutrina da Trindade é um dos maiores enganos que entrou dentro da igreja de Cristo, não entenda, com isso, que estou dizendo que há UM DEUS e o mesmo com três ou duas formas de agir. Não é isso que a Bíblia nos ensina. Há um Deus, sim, nosso Criador. E também existe um outro ser, criado por Deus, o qual Ele chama de FILHO e o qual ele fez nascer neste planeta, conforme seu plano desde o princípio, para reunir em um só CORPO (Jesus e a igreja), aqueles que o Pai predestinou desde a eternidade e retomar o REINO das mãos de Satanás.

      Há um só Deus, o criador de todas as coisas.. e há UM SÓ SENHOR, Jesus…que se tornou SENHOR e CRISTO pelo que ele venceu aqui em sua caminhada santa. Ele nasceu sem pecado e lutou até o fim para NÃO PECAR… e foi vencedor nisso. Ele venceu o pecado. Não pecou. Foi tentado e não pecou. É o nosso fiel modelo. Se não seguirmos os seus passos, não seremos filhos vencedores como Ele venceu. Ele poderia não vencer? Sim, pois em tudo foi tentado. Mas venceu e, por causa disso, pôde morrer em nosso lugar e ser o nosso Salvador.

      “Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho,Hoje te gerei. Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.” (Hebreus 5:5-7) – Jesus, com clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, ou seja, fazer com que ele conseguisse VENCER O PECADO, foi ouvido. Ele recebeu forças para não cair e deixou esse exemplo para nós. Ele venceu com a ajuda do Espírito do Pai que estava sobre ele. Da mesma forma que nós só venceremos com a ajuda do Espirito de Jesus. O que não existe é um terceiro ser como a trindade ensina, como os dois primeiros, pois o Espírito que atua em nós e ressuscitará os santos vencedores no último dia, é o Espírito de Jesus, que se tornou Espírito Vivificante, agindo no coração dos santos, tornando-os a cada dia a sua imagem. Veja os textos:

      “Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:16-18)

      “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.” (1 Coríntios 15:45)

      Quem ressuscitou a Jesus foi Deus, o criador. Eles não são a MESMA pessoa, por isso, não creia no UNICISMO sem analisar com cuidado a Palavra. Existe o Criador e seu Filho vencedor, Jesus.. que é o Senhor que tirará o REINO das mãos de Satanás.. e que, ao final de tudo, quando Satanás estiver sido vencido, entregará a autoridade que recebeu do Pai de volta a Ele. Aí, então, Deus será TUDO em todos. Veja o texto: “E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” (1 Coríntios 15:28)

      Também, em apocalipse, há dois tronos e não UM, provando que são DOIS e não um só. Veja o texto: “E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro… E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.” (Apocalipse 22:1 e 3)

      Espero ter respondido a sua pergunta.

      Um abraço carinhoso.

      Cris

      • Ailton Linares

        Obrigado Cris, pela sua gentileza em me responder. Vou estudar melhor o assunto para sanar todas as dúvidas. Fique na paz do nosso Senhor Jesus!

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